“Suprema hipocrisia”, por Vasco Damas

Foto: Pixabay

Começou na semana passada e ameaça arrastar-se por mais alguns dias um novo episódio da série trágico-cómica “cenas da política à portuguesa”.

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Sou sensível às reivindicações dos professores, até porque acho justo que se lute pela recuperação de direitos, principalmente quando houve promessas explícitas que garantiam essa recuperação, mas sempre com base em princípios de equilíbrio, justiça e equidade.

Não podemos esquecer que todas as classes profissionais foram afetadas pela crise recente da nossa economia e assistiram a uma diminuição brutal do seu poder de compra e que muitas delas não têm como reivindicar a sua recuperação. Refiro-me a título de exemplo àquelas que não foram aumentadas durante dois, três ou quatro anos e quando voltaram a ter a oportunidade de ser “premiados” com revisões salariais não terem visto ser colocada na equação, a variável “tempo perdido”.

Seja como for, repito, percebo os professores e a luta pelos seus direitos.

Aquilo que não percebo é a falta de coerência de alguns partidos com responsabilidades na governação do nosso país. E para que fique claro, esta não é uma opinião política, é uma opinião cívica.

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Quando somos responsáveis, as nossas atitudes que são consequência das nossas decisões, são coerentes e não variam em função de chantagens. Quando estamos certos da justiça e da certeza da nossa decisão e sabemos que essa decisão criou uma determinada expectativa numa classe que luta pelos seus direitos, não a alteramos com receio do futuro mostrando que o xadrez político se joga em vários tabuleiros numa lógica de simultâneas onde o resultado final é corolário da tática e da estratégia.

Tomar uma decisão para colocar o governo em cheque e depois dar o dito pelo não dito para não correr o risco de ficar refém da sua própria decisão é demonstrativo de uma tremenda falta de responsabilidade que ignora por completo os tais princípios de equilíbrio, justiça e equidade.

São estes episódios que descredibilizam a política. Se preferirem, a bem do rigor, são estes episódios que descredibilizam os políticos porque lhes retira legitimidade futura e deixa no ar a dúvida em relação à competência para o seu exercício de tão nobre função.

A chave é pensar antes de decidir e de agir. Parece simples, mas estamos habituados a assistir ao seu contrário. Talvez porque a ânsia de poder turve a lucidez e a racionalidade. Mas isso também mostra o carácter de quem decide em nossa representação. Apetece-me sugerir que sejamos mais seletivos na hora de decidir. Mas será que temos alternativa?

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