“Sinais de alarme”, por Vasco Damas

Foto: France-Presse

Mais vale sê-lo do que parecê-lo mas não basta ser também tem de se parecer. Há muitos anos, era eu ainda uma criança, era com base neste conceito que se partilhavam alguns dos pilares básicos da educação e se transmitiam valores como a honra, a honestidade, a dignidade, a transparência, a coerência ou a verdade.

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Algumas décadas depois parece que estamos perante uma inversão da frase inicial, onde mais vale parecê-lo do que sê-lo e é preferível parecer sem se ser. Faz sentido que assim seja, sendo coerente na incoerência em tempos onde se perdeu a moral, o respeito ou a decência e onde se passou a conviver diariamente com a mentira ou se preferirem, com a notícia falsa traduzindo à letra a “fake new” dos nossos tempos.

Resultado inevitável de um inexorável passar do tempo, as referências que ajudaram a construir o passado-recente têm vindo a desaparecer e aqueles que têm vindo a ocupar os seus lugares estão longe de contagiar positivamente e de ser os reconstrutores de uma nova esperança que continua a ser eternamente adiada.

Se quiser ser mais corrosivo, posso mesmo afirmar que a generalidade dos líderes dos tempos modernos são verdadeiros artistas numa espécie de jogo onde representam um papel que definitivamente não é o seu, numa lógica de transformismo ou alpinismo social.

Deixaram de saber o que é a honra, tornaram a transparência opaca, perderam o respeito, a dignidade, a moral e este caldeirão em ebulição tem criado as condições para voltarmos a assistir a páginas que assustadoramente se poderão reescrever descrevendo a história de um novo capítulo que voltará a envergonhar a humanidade.

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Batemos no fundo quando se trocam acusações entre esquerda e direita para confundir a opinião pública e transferir o ónus da decisão que condena à morte aqueles que, paradoxalmente, se aventuram no mediterrâneo à procura de uma nova vida. Pior que isto, só o regresso do holocausto e muito sinceramente, pelos sinais que vou observando temo que esse cenário vá ganhando contornos reais a cada dia que passa.

Apesar dos insistentes sinais de alarme, a história não se repetirá e definitivamente não terá coragem de replicar uma das suas páginas mais negras. Sentir-me-ia mais seguro se os nossos representantes não fossem quem são mas o meu otimismo não me permite pensar de maneira diferente.

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