Sertã | Ministra admite “assimetria muito grande” na distribuição de médicos no país

A ministra da Saúde afirmou hoje na Sertã, que continua a haver no país uma assimetria muito grande na distribuição de médicos e admitiu que a questão é "bastante complexa". Foto: mediotejo.net

A ministra da Saúde afirmou esta segunda-feira na Sertã que continua a haver no país uma assimetria muito grande na distribuição de médicos e admitiu que a questão é “bastante complexa” Momentos antes, o autarca da Sertã tinha sensibilizado a governante para a falta de profissionais de saúde, sobretudo médicos e enfermeiros, no seu concelho. José Farinha Nunes considerou mesmo a situação como sendo de “emergência” e apelou à ministra para tentar resolver este “problema crónico”.

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“A questão é bastante complexa. Continuamos a ter uma assimetria muito grande na distribuição de médicos no país. A Unidade Local de saúde de Castelo Branco e a do Baixo Alentejo são dois casos que perderam médicos desde o início da legislatura”, afirmou a minstra da Saúde.

Marta Temido falava durante a sessão de inauguração das obras de requalificação do Centro de Saúde da Sertã, orçadas em mais de 612 mil euros, onde funcionam a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) e o Serviço de Atendimento Permanente (SAP), integrados no Agrupamento de Centros de Saúde Pinhal Interior Sul da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco (ULSCB).

“Isto só poderá ser resolvido quando conseguirmos agregar várias políticas de natureza diferente. Por um lado, continuar o esforço de abrir vagas nestas áreas e atribuir incentivos às vagas destas áreas. E, por outro lado, equacionar novos regimes de trabalho no SNS e isso tem-se falado muito nos tempos mais recentes”, defendeu.

José Farinha Nunes considerou mesmo a situação de falta de profissionais de saúde como sendo de “emergência” e apelou à ministra para tentar resolver este “problema crónico”. Foto: mediotejo.net

A ministra sublinhou ainda que não podemos haver no país portugueses de primeira e de segunda e referiu que a sua presença na Sertã “é uma afirmação política”.

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“Estar aqui é uma afirmação política. O interior e o litoral merecem igual respeito. O SNS tem que ter em conta as diferentes necessidades e fazer mais por estes territórios”, defendeu.

Marta Temido sublinhou também que a mensagem do presidente da Câmara da Sertã “ficou bem guardada”.

Momentos antes, o autarca tinha sensibilizado a governante para a falta de profissionais de saúde, sobretudo médicos e enfermeiros, tendo José Farinha Nunes considerado mesmo a situação como sendo de “emergência”, apelando à ministra para tentar resolver este “problema crónico”.

“Hoje é um dia especial para a Sertã. Estas eram obras há muito aguardadas e que vão melhorar a vida e o bem estar da população. Temos a noção que damos um passo rumo ao futuro com esta obra”, disse.

Já o presidente da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco (ULSCB), Vieira Pires, realçou também a necessidade de aumentar o número de médicos, enfermeiros e de assistentes operacionais e técnicos.

Contudo, afirmou que a deslocação de Marta Temido à região, denota “vontade política” em resolver estas situações.

Marta Temido esteve presente na sessão de inauguração das obras de requalificação do Centro de Saúde da Sertã, Foto: mediotejo.net

Ministra admite existência de estratégia de “terra queimada” face ao SNS

A ministra da Saúde admitiu que tem havido uma “estratégia de terra queimada” face ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e considerou-a até “desleal” para com as populações.

Marta Temido assumiu que vai acontecendo “uma estratégia de terra queimada e até desleal para com as populações”, em termos de informação, facto que causa perturbação e uma sensação de desconfiança que não é real.

A governante, que falava à margem da inauguração das obras de requalificação do centro de saúde da Sertã, no distrito de Castelo Branco, disse que não está no Governo para lutas.

“Não estou cá para lutas. Estou cá para trabalhar em nome dos interesses dos utentes do SNS e os portugueses não me perdoavam se perdesse tempo em discussões mais ou menos inúteis relativamente a quem é que tem o ego maior. Estou cá para trabalhar”, frisou.

A ministra reconheceu que o SNS tem muitos problemas e que tem aspetos que é preciso melhorar.

“Depende depois de cada um de nós, o querer concentrar-se naquilo que corre mal ou naquilo que corre bem. Penso que temos que ser realistas, resolver aquilo que corre mal, mas não dizer que está tudo perdido”, sublinhou.

Sem se referir diretamente a qualquer campanha contra o SNS, Marta Temido realçou que à ministra, cabe-lhe trabalhar, não lhe cabe ser comentadora política nem fazer esse tipo de análise: “Há uma coisa que podem ter a certeza é que não me vou distrair”.

Ministra admite “assimetria muito grande” na distribuição de médicos no país. Foto: mediotejo.net

Ministra da Saúde quer dotar MAC de quadro permanente de anestesistas

A ministra da Saúde afirmou ainda na Sertã que não vai desistir de dotar a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, de um quadro permanente de anestesistas e de resolver as falhas que se verificam.

“Não vamos desistir de duas coisas. Por um lado, de resolver as falhas [existentes na MAC] e por outro lado, de dotar a MAC de um quadro permanente de anestesistas e, por último, de rever toda a assistência ginecológica e obstétrica na zona de Lisboa”, afirmou Marta Temido na Sertã.

A governante, que falava à margem da inauguração das obras de requalificação do Centro de Saúde local, explicou que aquilo que sabe é que hoje havia dificuldades com a programação de cirurgias na MAC, em função de não estar assegurada a escala de prestação de serviços de anestesiologia.

“Também sabemos que o Conselho de Administração [da maternidade] tinha hoje várias diligências que poderiam terminar no final do dia com esse problema resolvido. Espero que aquilo que foi noticiado recentemente, que era o cancelamento de intervenções cirúrgicas programadas na MAC por falta de anestesias, seja resolvido ou pelo menos atenuado”, sustentou.

Marta Temido realçou que se está num período crítico e que situações destas são recorrentes na MAC, pois têm na sua origem o desmantelamento do quadro de anestesistas quando se pensou que a MAC iria encerrar.

“Desde então [a MAC] tem vivido de prestadores de serviços. E essas escalas são mais difíceis. Tivemos essa situação no Natal e estamos a ter neste verão”, concluiu.

c/LUSA

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