Sertã | Família de britânico desaparecido há oito meses faz apelo por informação

Joel Eldridge. Foto do seu facebook, atualizado pela última vez a 6 de julho de 2018.

A família de um britânico desaparecido em Portugal há oito meses lançou hoje um apelo público por informação, relevou a polícia britânica, que está a investigar o caso como um potencial homicídio juntamente com a Polícia Judiciária.

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“Nós sabemos que alguém deve saber alguma coisa. Por favor, se souberem de alguma coisa, se ouviram rumores sobre onde o Joel possa estar, se viu o Joel, que foi a última pessoa a vê-lo, por favor entre em contacto com a Polícia de Sussex e diga o que sabe”, pediu a mãe de Joel Eldridge, Jacki.

O apelo, feito em vídeo, foi divulgado através da página de Internet da Polícia do condado de Sussex, a sul de Londres, na tentativa de resolver o mistério do desaparecimento.

Joel Eldridge, que completou 30 anos na passada sexta-feira, mudou-se para Portugal em janeiro de 2018 para trabalhar, instalando-se na localidade de Macieira, concelho da Sertã, e terá mantido contacto com a família e amigos até meados de julho através de redes sociais.

Porém, a família considera invulgar a falta de notícias e deu conta do desaparecimento no final de agosto do ano passado, tendo também iniciado uma campanha na Internet para o encontrar e visitado Portugal no final de outubro para procurar mais informação.

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Detetives da Equipa de Crimes Graves da região de Surrey e Sussex estão a trabalhar em colaboração com a Polícia Judiciária e deslocaram-se ao país, onde o caso está a ser tratado como uma potencial morte suspeita e a ser investigada por agentes da PJ especializados em homicídios.

“As nossas investigações, em apoio às dos investigadores portugueses, levam-nos a crer que o Joel sofreu nas mãos de outros quando estava em Portugal”, adiantou hoje o inspetor-chefe da polícia britânica, Chris Friday, num comunicado enviado à agência Lusa.

Sertã | PJ continua a investigar desaparecimento de jovem britânico em Macieira

(Notícia publicada pelo mediotejo.net em outubro de 2018)

A Polícia Judiciária (PJ) de Coimbra continua a investigar o desaparecimento de Joel Eldridge, que desde 7 de julho [de 2018] não dá notícias à família sobre o seu paradeiro. O jovem britânico estava a viver em Macieira, Sertã, desde janeiro, trabalhando na construção civil em Pedrógão Grande. Os pais deslocaram-se ao concelho em outubro para procurarem pessoalmente por informações, mas o caso mantém-se sob a alçada da PJ.

“Estamos a investigar a situação, para já não podemos avançar mais nada”, informou o gabinete de imprensa da PJ face a um contacto do mediotejo.net, que procurava assim saber se havia mais informações sobre Joel Eldridge desde que os pais deram conta a 24 de outubro à comunicação social regional do seu desaparecimento. Alan e Jacqueline deslocaram-se de Bexhill-on-Sea (East Sussex, sul de Inglaterra) à Sertã nessa semana para procurarem pelo filho, depois da participação de desaparecimento ter transitado da GNR para o domínio da PJ.

Sertã | Família de britânico desaparecido há oito meses faz apelo por informação
Joel Eldridge com e sem barba. Fotos cedidas pela família

O contacto com os jornalistas foi realizado por meio da embaixada britânica. Joel Eldridge deslocou-se a Portugal na sequência de uma prolongada situação de instabilidade laboral e uma promessa de trabalho na construção civil juntamente com alguns amigos ingleses. Estava a viver em Macieira, Sertã, e trabalhava em Pedrógão Grande. Nos inícios de julho deixou de dar notícias à família.

“Algo não está bem… Só queremos encontrar o Joel e levá-lo para casa”, explicou Jacqueline Eldridge aos jornalistas. Os pais inicialmente pensaram que o filho estaria com muito trabalho e que, por isso, não telefonava. Com o decorrer dos dias sem que houvesse qualquer contacto – algo pouco usual no filho, garantem -, com a atividade no Facebook estagnada e sem registo de movimentos na conta bancária, os pais dirigiram-se à polícia britânica para participar o seu desaparecimento. O caso foi reportado às autoridades portuguesas, chegou à GNR da Sertã e encontra-se a ser investigado pela PJ de Coimbra desde final de setembro.

“Sabíamos que o Jo estava deprimido e que queria regressar a Inglaterra”, comentou Jacqueline. O trabalho em Portugal seria diferente do que o jovem estava à espera e passara a viver numa zona bastante isolada, não tendo sequer carta de condução. Algum mau ambiente entre o grupo de amigos ingleses, com quem foi viver para uma casa arrendada em Macieira, tê-lo-á levado a abandonar a aldeia da Sertã por algum tempo, mas acabaria por regressar, adiantaram os pais.

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Uma das últimas fotos que Joel Eldridge publicou no Facebook, a 2 de julho. A última atividade pública registada é de 6 de julho. Foto: DR

Após a participação do desaparecimento, o casal terá sido aconselhado pelas autoridades a deixar as forças policiais trabalharem. Com o passar dos meses, porém, Alan e Jacqueline decidiram vir eles próprios a Portugal, tendo chegado à Sertã a 19 de outubro e realizado a sua própria busca na Macieira. O grupo de amigos ingleses entretanto dispersou, sendo que os que permanecem na aldeia terão dito ao casal que Joel regressara a Inglaterra.

Joel não tem filhos e é solteiro. Em Inglaterra frequentava bastante o ginásio e, com o seu 1,78m e uma fisionomia musculada, é um homem que não passa despercebido.

Sertã | Família de britânico desaparecido há oito meses faz apelo por informação
A aldeia de Macieira, no concelho da Sertã. Foto: mediotejo.net

Macieira fica a cerca de 15 quilómetros a norte de Sertã e 16 quilómetros a sul de Pedrógão Grande. O caminho é feito em estradas estreitas e acidentadas, num ziguezague por vezes a pique, subindo e descendo a serra, situando-se a localidade meio isolada entre o eucaliptal, ainda com marcas dos grandes incêndios do ano passado. Há uma capela, um café, uma mercearia. Pouco mais.

Na localidade, o mediotejo.net procurou falar com alguns moradores. A situação do desaparecimento do inglês é conhecida da população, tendo as autoridades já visitado a aldeia e feito por ali algumas perguntas.

O grupo britânico visitava frequentemente o café local, mas Joel pouco interagia com a população, até porque não sabia falar português. “Era simpático, mas não falava com ninguém. Os restantes amigos viam-se mais”, comentou uma moradora; “Bom dia, boa tarde… Ele não sabia português, eu não sei inglês”, recordou outra habitante. Entretanto, o jovem deixou simplesmente de aparecer.

Não há sinais da sua partida do local mas também nada ficou da sua bagagem, nomeadamente uma guitarra que trazia sempre consigo. Era impossível, garantem os pais, que Joel tivesse ido embora da aldeia carregando sozinho todas as suas malas. Os pais estranham ainda que ele nada dissesse sobre uma possível “mudança”, sendo que já tinha manifestado vontade de regressar a Inglaterra. “Já ajudámos o Jo no passado, sabemos que numa situação destas nos pediria ajuda.”

O que terá acontecido a Joel? Os seus pais não encontraram respostas nestas aldeias aninhadas nos montes da Sertã, mas não regressam a Inglaterra de coração vazio. Ainda têm a esperança de que alguém o possa ter visto e que, ao ler este artigo, dê alguma informação relevante às autoridades.”…Só queremos levá-lo para casa.”

C/LUSA

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