“Sem saudosismos, é preciso preservar a memória do Estado Novo”, por João Morgado

António de Oliveira Salazar chegou ao governo após o golpe militar de 1926, alterou a constituição em 1933 e instituiu um regime ditatorial que durou mais de 40 anos. Foto: Arquivo/DR

Tenho escrito e reescrito este texto ao longo destas duas semanas em que percorro a Europa. Não sabia bem o que escrever, pois muitas aventuras há para contar, e não quero tornar-me chato. De entre todas escolhi fazer uma referência a um museu muito interessante que visitei em Berlim, na Alemanha.

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Trata-se do Milestones, um museu dedicado à história do Parlamentarismo neste país que não omite nenhuma parte da sua história. Seria uma ideia interessante a ser desenvolvida pela Assembleia da República, um museu ou centro de interpretação focado neste tema. O museu encontra-se na Deutscher Dom e é composto por cinco andares. Entramos para o primeiro piso onde podemos perceber um pouco do que foi a revolução de 1848/49; no piso 1.1 está exposta a história do Parlamentarismo democrático na Alemanha, seguida no segundo piso pela época da República de Weimar e o parlamentarismo na Alemanha imperial; chegamos ao terceiro piso e o foco é o regime Nazi e o parlamentarismo na RDA. Os pisos seguintes são dedicados a exposições sobre “As mulheres e a Política” e “A integração Europeia”.

O Museu tem ainda um pequeno hemiciclo onde acontecem debates todas as semanas, dinamizados pelo museu em articulação com escolas de toda a Alemanha.

Queria focar especialmente aquilo que vi no terceiro piso e relacionar isso com um tema que tem causado tanta celeuma entre os portugueses, o tão famoso Centro Interpretativo do Estado Novo. Todos os povos têm passados gloriosos dos quais se devem orgulhar, mas têm também momentos infelizes na sua história. Portugal e Alemanha tiveram regimes fascistas dos quais, enquanto nações, não se deveriam esquecer. Aquilo que foi vivido pelos portugueses vítimas do Estado Novo e da perseguição política e autoritária nunca deve ser olvidado.

Uma coisa é lembrar as vítimas, tal como acontece, e bem, em muitos museus, tal como na Alemanha e em outros países invadidos por esta na segunda Guerra Mundial. Faz, no entanto, falta em Portugal um centro onde se veja como funcionava o regime por dentro, quem comandava a PIDE, quem tomava as decisões e como eram tomadas as mesmas, como se efetuava a censura, etc. Na minha opinião não há nada de saudosista nisto, há sim factos históricos e com interesse para todos os portugueses, dos mais novos aos mais velhos.

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Devemos, enquanto povo, ter um lugar onde seja estudado o regime e esse estudo esteja ao dispor de todos. Devem ser lembrados todos os processos que levaram a que o Estado Novo se instalasse em Portugal para que não voltemos a seguir os mesmos caminhos do passado.

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