Cristina Pissarro é a nova coordenadora do Hospital de Dia de Oncologia do CHMT

Cristina Pissaro é a nova coordenadora do Serviço de Oncologia do CHMT

Chama-se Cristina Pissarro, tem 32 anos é a nova coordenadora do Hospital de Dia de Oncologia do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT).

PUB

De sorriso franco e aberto veio da Fundação Champalimaud para, afirma, “com sentido de missão”, poder acompanhar os doentes nas diferentes fases de uma doença que, de tão cruel, obriga a um acompanhamento mais humanizado.

Foi a vertente humana da oncologia que a fez mudar de vida: de Lisboa para Torres Novas.

Cristina Pissarro é a nova coordenadora do Hospital de Dia de Oncologia do CHMT
Cristina Pissarro com alguns membros da equipa do Serviço de Oncologia

O INÍCIO DE UMA CARREIRA

“A escolha da medicina, e em específico da especialidade de oncologia tem a ver com um aspeto muito pessoal, quando eu tinha 15 anos, o meu pai faleceu com um tumor cerebral e nessa altura estive bastante envolvida no acompanhamento ao meu pai”, contou Cristina Pissarro.

PUB

Posteriormente, quando foi altura de escolher a especialidade, essa experiencia pessoal fê-la ir verificar como seria o trabalho numa área tão difícil: “como estava consciente de que era uma área bastante delicada e difícil, não só para os doentes mas também para os profissionais envolvidos, fiz um estágio voluntário no IPO de Coimbra, durante cerca de dois meses, e fiquei fascinada com o contacto humano que se estabelecia com os doentes oncológicos. Foi aí que decidi abraçar a oncologia como uma missão”, lembrou.

Cristina Pissarro é a nova coordenadora do Hospital de Dia de Oncologia do CHMT
Cristina Pissarrro coordena o Hospital de Dia de Oncologia do CHMT

“Estabelece-se uma ligação humana com os doentes que é completamente diferente de qualquer outra especialidade. Os doentes acabam por ser a nossa família e nós acabamos por ser um familiar deles. Emocionalmente é muito desgastante e acabamos por viver não só as vitórias dos doentes mas também os momentos mais tristes, mas do ponto de vista humano é uma área muito bonita”, destacou a médica especialista.

“Os doentes procuram a cura mas o que eles realmente precisam é de alguém que os acompanhe durante o percurso da doença. Podem ser poucos os doentes que eu consigo curar, mas, se calhar, quase todos consigo ajudar, ao acompanhar no percurso da doença”, destacou Cristina Pissarro.

Da Fundação Champalimaud para o Centro Hospitalar do Médio Tejo

O convite para a Fundação Champalimaud surgiu devido ao seu currículo na área dos cuidados paliativos, onde trabalhou no Canadá: “Por não existirem muitos profissionais com formação avançada na área dos cuidados paliativos em Portugal, acabaram por me fazer esse convite, não só como oncologista mas por associar também esta vertente dos cuidados paliativos”.

Trabalhar na Fundação Champalimaud foi um “privilégio e uma honra. Foi um grande desafio. Contudo, ao fim de seis, sete meses, comecei a aperceber-me que o trabalho clínico que desenvolvia na Fundação, não estava bem adequado ao meu perfil de médica, ao trabalho que eu achava que seria gratificante em termos pessoais”.

Apesar de a Fundação ter um departamento de ciência básica e de investigação bastante desenvolvidas, na área sobretudo da oncologia e das neurociências, a parte clínica era diferente da que estava habituada no IPO de Coimbra.

“Por ser uma instituição que recebe muitas consultas de segunda opinião, 80% do meu trabalho na Fundação como oncologista era um trabalho de emissão de 2ª opinião, ou seja eu acabava por não tratar doentes, por não acompanhar os doentes. Não tinha o feedback de um tratamento e isso acabou por ser pouco frustrante, desse ponto de vista”, referiu.

“O que queria mesmo era estar no terreno e ser uma oncologista que aplica os seus tratamentos, faz a abordagem da doença desde o início, e acompanha o doente ao longo das várias fases”, contou, tendo feito notar que foi este o motivo que a fez aceitar o convite para o CHMT.

“Aceitei o convite da diretora Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo que me lançou o desafio de organizar e estruturar praticamente de raiz o serviço de oncologia deste hospital que estava com dificuldades de recursos humanos e organização estrutural”, contou Cristina.

Cristina Pissarro é a nova coordenadora do Hospital de Dia de Oncologia do CHMT
A diretora com alguns membros do Serviço de Oncologia do CHMT

Cristina Pissarro diz estar “muito satisfeita e muito realizada”, uma vez que, destacou, tem a possibilidade de colocar ao serviço dos doentes do CHMT “todos os conhecimentos e contactos que fui desenvolvendo no IPO e na Fundação”.

“Para além de que é uma mais valia permitir que estes doentes fiquem próximos de suas casas, possam fazer os tratamentos e ter o acompanhamento, quer em termos de controlo da dor ou quaisquer complicações que surjam decorrentes da sua doença, sem terem de se deslocar para fora da sua área de residência, sublinhou.

“É bastante gratificante porque isso veio trazer mais qualidade de vida aos doentes, porque a maior parte dos doentes acabavam por ir para Coimbra ou Lisboa e são distâncias muito grandes para doentes que estão fragilizados”, afirmou a nova coordenadora do Hospital de Dia de Oncologia.

Novo projeto: Sessões Clínicas de Oncologia

O projeto ligado às sessões clínicas de Oncologia vai entrar em vigor, numa fase experimental, ainda este mês de outubro, em articulação com o serviço de cirurgia.

Trata-se de sessões de debate subordinadas a diversos temas da oncologia que se dirigem sobretudo a médicos de diversas áreas de especialidade do CHMT mas onde também são convidados a participar enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais que tenham interesse nos cuidados prestados ao doente oncológico.

O objetivo é promover a sensibilização dos diversos profissionais para a oncologia, atualizar as práticas médicas nesta área com base em ‘guidelines’ oncológicas internacionais e nacionais, promover a implementação de protocolos de atuação que melhorem os cuidados ao doente oncológico no CHMT e promover o debate, o diálogo, o esclarecimento das dúvidas mais frequentes no dia-a-dia no que concerne a esta área, estimulando o trabalho em equipa multidisciplinar e interprofissional.

Depois da fase experimental, em articulação com a cirurgia, pretende-se alargar estas sessões a outras especialidades.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here