Sardoal | Vereador do PS diz que concelho “não está a saber reagir” na defesa da sua identidade

Reunião de Câmara de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Na última reunião de Câmara Municipal de Sardoal, o vereador do Partido Socialista , Carlos Duarte, apresentou uma declaração política colocando em causa a ação do Executivo liderado pelo Partido Social Democrata no que toca, designadamente, à Educação e aos jovens no concelho, dizendo que “Sardoal não está a saber reagir”. Sobre o tema, o presidente Miguel Borges também apresentará uma declaração política. A resposta fica para a próxima sessão.

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Na passada quarta-feira, 27 de novembro, o vereador Carlos Duarte (PS) em reunião de Câmara de Sardoal, apresentou uma declaração política onde questionava o Executivo quanto às sua opções relativamente à Educação no concelho e quanto aos jovens.

“Na penúltima reunião passada mostrei-lhe a minha preocupação ao falar da fuga de alunos da nossa escola para concelhos limítrofes e o senhor presidente mais uma vez optou por descartar responsabilidades, remetendo as mesmas para o órgão de gestão”, começou por lembrar o vereador socialista.

“Curiosamente, depois disso, ao ler um periódico regional de novembro, deparei-me com um artigo sobre a Golegã onde o seu presidente da Câmara foi entrevistado e ali defendia a importância do carácter identitário do Cavalo Lusitano para a sua região. Também dizia que as pessoas querem viver numa Terra em que sintam a sua história […] Dizia ele, que quando chegou à Câmara chamou a si o pelouro da Educação e colocou a equitação no complemento curricular””, notou.

Após o preâmbulo, Carlos Duarte considerou que “Sardoal não está a saber reagir naquilo” que crê ser importante para a defesa da sua identidade. Disse que “a própria identidade está posta em causa com as sucessivas mudanças de nomes: Vila Jardim, Terra Pura, agora pelos vistos para Vila Jardim, outra vez…” e até sugeriu: “porque não, Terra Jardim!”.

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Segundo o vereador socialista a situação agrava-se porque “Sardoal está mais inativo do que se esperava ao nível da manutenção da sua identidade para a nova geração. Já nos habituámos a ouvir lugares comuns como ‘pés de barro ou manta curta’ para descrever situações menos boas. Eu afirmo que o Sardoal está a ficar como ‘sapo em água morna’ da fábula de Gregory Baterson. Que nos diz que se aquecermos a água fria gradualmente, o batráquio acomoda-se e perde o reflexo de saltar para fora de água acabando por morrer escaldado. Claro que alguns sapos conseguem dar o salto antes da morte”.

Para Carlos Duarte, em Sardoal, “os primeiros a saltar são seguramente a geração mais nova. E esse salto já se verifica também nos alunos do nosso Agrupamento de Escolas senão vejamos: Do 9 para o 10 ano – perdemos 14 alunos que foram para Mação. Do 10 para 11 ano e do 11º para o 12 ano – perdemos 6 alunos para Abrantes (3 foram para cursos existentes no nosso Agrupamento). Temos uma escola nova no horizonte, mas neste momento uma turma no secundário com 8 alunos! É preocupante!”, afirmou.

O vereador apontou ainda “a queda da natalidade” como um problema futuro no concelho, dizendo ser “tempo das gerações mais velhas fazerem o que é certo” e sugerindo que a música fizesse parte do complemento do currículo, proporcionando aos jovens de Sardoal a possibilidade de “tocar cada vez melhor evoluindo para a qualidade musical que nos é mostrada nesses espetáculos” de piano, incluindo-se naqueles que “gostariam muito mais se fossem também os alunos do nosso agrupamento a tocar pelas capelas do Sardoal ao longo do ano, a ensaiarem”.

Acredita que, entre a população, “a opinião sobre o piano fosse mais consensual e não algo parecido com um capricho do presidente, sem contexto para a maioria dos sardoalenses”.

Carlos Duarte admitiu que a Filarmónica União Sardoalense (FUS) “faz o seu trabalho” mas “sem a criação de sinergias com a escola, sem um projeto concertado no sentido de poder tender, no futuro, também para o estudo da música que os jovens de hoje gostam, mais ligada às novas tecnologias, que daria outro interesse até aos de fora, por marcar a diferença”.

Nota o vereador do PS que “tem faltado à Câmara a vontade ou a capacidade para estruturar laços com a juventude. Também o velho espaço da Biblioteca Municipal tem sido esquecido, faltando as condições físicas e orçamentais e um dinamismo que poderia fazer a ponte para uma maior participação de ativismo jovem. São essas pontes que levam os jovens a interessarem-se pela política da sua terra. Evitar o salto dos jovens, levará também ao início da tomada de decisão política daqueles que serão os nossos responsáveis daqui a uma ou duas décadas”.

E finalizou a questionar o presidente Miguel Borges se não será “a hora de fazer algo pelos jovens, pela sua Educação?” em Sardoal.

Miguel Borges remeteu a resposta para a próxima reunião de Câmara Municipal, em forma de declaração política.

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