Semana Santa do Sardoal | Novas visões da fé e tradição no Projeto Capela 2017

Exposição "Projeto Capela 2017". Foto: mediotejo.net

A criatividade dos alunos do Agrupamento de Escolas de Sardoal foi dada a conhecer ao público no Espaço Cá da Terra na sexta-feira, dia 31 de março, na inauguração da exposição que reúne 53 trabalhos artísticos criados no âmbito do “Projeto Capela 2017”. Uma mostra dedicada aos tapetes de flores que, tradicionalmente, ornamentam o Sardoal durante as comemorações da Semana Santa e cuja vencedora, Beatriz Serras, terá a sua criação materializada no chão da Capela do Senhor dos Remédios.

A aluna conquistou o primeiro prémio da edição deste ano, seguida por Marlene André e Beatriz Matos, segunda e terceira classificadas, respetivamente. Marlene não esteve presente e as duas Beatrizes receberam certificados do seu mérito pelas mãos de Miguel Borges, presidente da autarquia sardoalense, e Ana Paula Sardinha, diretora do Agrupamento de Escolas de Sardoal. Para a fotografia de grupo juntaram-se outros alunos que, apesar de não terem conquistado “o pódio”, viram a sua criatividade reconhecida.

Falámos com Beatriz Serras enquanto decorria o “Sardoal de Honra” que finalizou a inauguração e a ideia para o tapete de flores que fará parte do roteiro da Semana Santa surgiu da pesquisa sobre símbolos religiosos. Optou pela cruz, as velas e o sol aos quais acrescentou o fundo em cor-de-laranja que faz lembrar um final de dia quente. Cada projeto fala por si e traduz as muitas visões da tradição e da fé que constituem a exposição.

A vencedora Beatriz Serras junto de Miguel Borges, Ana Paula Sardinha e mais participantes. Fotos: mediotejo.net

O primeiro prémio não fazia parte dos planos pois considerava “muito difícil conseguir ganhar”, ainda assim decidiu que iria dar o seu “melhor”. Acabou por ter o melhor resultado possível e numa ação que dá continuidade ao passado, Beatriz acabou por se tornar ela própria parte da tradição e de memórias futuras. Um estímulo que se junta aos apontados por Ana Paula Sardinha, com quem conversámos a seguir.

Segundo a diretora do agrupamento escolar, os estabelecimentos de ensino devem desenvolver competências em todas vertentes, preparando os alunos “para o mundo” e mantendo “viva esta lindíssima tradição”, que considera ser “única a nível nacional”. Um processo que contribui para o papel desempenhado pela escola no fortalecimento das raízes identitárias do concelho junto das gerações mais novas.

A cruz assume-se como elemento central e é representada de variadas formas. Fotos: mediotejo.net

Ana Paula Sardinha lembrou que na primeira fase do projeto era sobretudo o corpo docente que assegurava os trabalhos e a execução dos tapetes de flores, passando a ser desenvolvido pelos alunos em contexto de sala de aula a partir do ano de 2013. A quarta edição envolveu mais de centena e meia de participantes, do 5º ao 12º ano, sendo que os do ensino secundário “o fazem de uma forma voluntária” pois não têm a disciplina de Educação Visual e Tecnológica ou outras ligadas à área das artes.

Em declarações ao mediotejo.net, Ana Paula Sardinha, referiu que o desafio deixa os estudantes entusiasmados e com vontade de apresentar algo novo em relação ao ano anterior. Quem visitar a exposição até ao dia 30 de abril pode fazer essa comparação uma vez que na ligação interior do Espaço Cá da Terra ao foyer do Centro Cultural Gil Vicente é possível descobrir alguns desses trabalhos projetados numa tela da parede. Na mesma zona estão, igualmente, patentes algumas “maquetes”.

A exposição no Espaço Cá da Terra integra trabalhos desta edição e lembra alguns anteriores. Fotos: mediotejo.net

Foi neste local que Miguel Borges nos revelou que o Projeto Capela surgiu porque a família da esposa tinha o hábito de enfeitar uma das capelas da vila. Nessa altura o atual presidente da Câmara Municipal era coordenador do Departamento de Expressões e docente do agrupamento de escolas local, onde era notório o desinteresse dos mais jovens nesta tradição.

Como resposta, surgiu o “Projeto Capela” com o objetivo, diz, “de sensibilizar a juventude, as crianças para aquilo que é muito deles, que é da sua terra, do seu concelho”. Quase duas décadas depois, Miguel Borges destaca a “introdução de novos elementos” que representa “um desenvolvimento artístico” enriquecedor da “preservação de algo que é nosso” e promove a interação “entre a comunidade educativa e a comunidade sardoalense”.

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