Sardoal | Educação e Juventude voltam a reunião de câmara em forma de declaração política do PS

Reunião de Câmara Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Os temas Educação e Juventude continuam a ser debatidos em Sardoal. Pelo menos nas reuniões públicas de Câmara. O vereador Carlos Duarte, eleito pelo Partido Socialista, apresentou uma primeira declaração política sobre os temas, onde considerou que o concelho “não está a saber reagir” na defesa da sua identidade. O presidente Miguel Borges (Partido Social Democrata) respondeu ao vereador recusando política “do oportunismo” e a resposta à resposta chegou na última reunião de executivo.

Na última reunião de executivo de Sardoal, na quarta-feira, dia 8 de janeiro, o vereador Carlos Duarte (PS) começou por dizer que Miguel Borges (PSD) fugiu “intencionalmente” à questão colocada pelo vereador socialista na primeira declaração política sobre os temas Educação e Juventude.

A pergunta prendia-se com o “faltar à Câmara vontade ou capacidade de estruturar laços com a juventude e colaborar no desenvolvimento um projeto educativo que dê identidade ao Sardoal”, situação que o PS considera prevalecer.

“Parece-nos que se continua a esquecer da educação dos mais jovens. Como é o exemplo da sua declaração política de 1482 palavras onde usou o termo jovens 0 vezes, juventude 0 vezes, miúdos 1 vez (e eram digitais), crianças 1 vez, educação 2 vezes, mas onde as palavras boletim e escadas foram usadas 4 vezes” notou Carlos Duarte.

Criticou o facto do Conselho Municipal de Juventude de Sardoal “nunca foi criado e, logo nunca reuniu devido, nas palavras do vereador Pedro Rosa, à falta de organização dos parceiros, por uma associação de estudantes que não é eleita (o que não compreendemos pois há eleições e uma lista vencedora) e ainda pela falta de capacidade da associação dos jovens do concelho” algo em que não acredita, disse.

PUB

Assim, questionou o presidente sobre as medidas tomadas “desde que está na Câmara até agora para que o Conselho Municipal da Juventude fosse criado?”.

Quanto ao Conselho Municipal da Educação (CME) lembrou “depois de uma análise das diferentes intervenções dos membros deste conselho ao longo dos últimos dois anos letivos, verificamos que nos textos, apesar da sua presença, o sr. presidente não propõe sequer uma única ação, mas faz muitos agradecimentos. Também da parte do vereador da Educação não vislumbramos propostas que vão ao encontro da identidade que consideramos haver necessidade de ser criada em torno dos jovens” a que se referiu na última declaração.

Classificando de “importantes” as medidas “Educação pela arte, Projeto READ com cães, Experimenta + Ciência Sardoal e Miúdos Digitais” contudo considera-as “avulso e desconectadas de um fio condutor que se exige na atualidade”.

Reunião de Câmara Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Carlos Duarte questionou ainda o presidente se “existe um plano municipal de educação? Isto é, documentos distintos que reúnem o conjunto de atividades, projetos e recursos disponibilizados pela Câmara Municipal, assim como parcerias desenvolvidas ao longo dos anos com diversas instituições sociais, culturais, desportivas e educativas. No fundo o espelho da aposta do executivo municipal na educação?” interroga.

E afirma que “falta também à Câmara Municipal definir como prioridade a elaboração de um Plano Estratégico Educativo Municipal, o qual se apresenta como um instrumento privilegiado na definição de uma política educativa local e no planeamento estratégico e sustentado da educação”.

Nessa sequência solicitou “o acesso à mais recente Carta Educativa, uma vez que a última a que temos acesso é de maio de 2006, deixando a questão sobre quem está a monitorizar os dados. Trata-se de um instrumento de planeamento que, para além de se debruçar sobre a realidade existente, em termos dos tradicionais equipamentos educativos, agrega também outros equipamentos sociais e, tendo em conta as pessoas que quer servir, vai detetar as respostas mais eficientes aos anseios da nossa população”.

Acrescenta que também falta a Sardoal “uma definição estratégica no âmbito do desenvolvimento do Capital humano mais jovem, e de uma estratégia educativa com identidade desenvolvida especificamente para o concelho” até porque, e termina, “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”.

Em resposta Miguel Borges disse que Carlos Duarte “deveria ser conhecedor de outro tipo de instrumentos” referindo-se ao Boletim como instrumento de comunicação da autarquia.

O presidente nota que, num concelho, havendo vários agrupamentos de escola, “há na verdade instrumentos de gestão educativa que são fundamentais para que os diferentes agrupamentos de escola possam entre eles articular”. Contudo em Sardoal “há dois instrumentos fundamentais e dos quais contribuímos porque fazemos parte do conselho geral onde são aprovados, por exemplo o projeto educativo, um instrumento fundamental da gestão da escola assim como o plano de atividades”, refere Miguel Borges.

Em relação à Carta Educativa “a questão não é nossa, é do Ministério da Educação que não tem sabido dar resposta aos novos modelos de Carta Educativa. Já o fizemos, não tem sido homologada, dizem que continua assim, estamos à espera de diretrizes do Ministério e não havendo mantém-se a que está em vigor”.

Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Quanto ao Conselho Municipal de Educação é naquele órgão que o executivo efetua “uma análise do projeto educativo e do plano de atividades, e as sugestões não são avulso cada vez que há uma reunião do CME, são feitas na construção do projeto educativo e na construção do plano de atividades” explica o presidente, como sendo a participação do executivo na vida da escola.

Termina considerando que o vereador socialista “está a ser tremendamente injusto em matéria de Educação” afirmando que “a nossa articulação da escola é enorme”. Lamenta que não haja uma definição em termos de cursos profissionais” justificando que a obrigatoriedade não é da Câmara Municipal, mas que a decisão está relacionada com uma entidade que articula no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

Quanto ao Conselho Municipal de Juventude, Miguel Borges esclarece tratar-se de “uma questão técnica” admitindo que durante “muito tempo a associação de estudantes não teve ninguém” e que a associação de jovens não reúne ainda “as condições técnicas legais” de acordo com o RNAS [Registo Nacional do Associativismo Jovem] para poder ser constituída como associação e integrar o Conselho Municipal de Juventude.

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here