Sardoal | Beateiras e papeleiras geram troca de acusações entre PSD e PS

Assembleia Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

A Assembleia Municipal de Sardoal (AM) discutiu e aprovou, por unanimidade, matérias como a revisão orçamental, a situação económica e financeira semestral ou o fornecimento de energia elétrica em regime de mercado livre. Mas no Período Antes da Ordem do Dia o clima azedou entre o presidente da Junta de Freguesia de Sardoal e o presidente da Câmara Municipal. O confronto político tendeu para a acusação, com as bancadas do PSD e do PS a apresentarem várias declarações políticas ao ponto de, passadas duas horas, o presidente da AM, Miguel Mora Alves, encerrar o PAOD, recusando que os deputados municipais apresentem um discurso de “vitimização”. Entre os assuntos da discussão estiveram as beateiras e as papeleiras recentemente colocadas na vila, quer pelo Município quer pela Junta de Freguesia.

A Assembleia Municipal de Sardoal realizada na terça-feira, 17 de setembro, começou de forma tranquila após os habituais comprimentos entre adversários políticos mas rapidamente o clima ficou tenso quando o presidente da Junta de Freguesia de Sardoal, Miguel Alves, colocou várias questões ao executivo camarário, começando por felicitar o município “pela preocupação que tem revelado com as questões ambientais nomeadamente o protocolo que estabeleceu com a Valnor bem como a aquisição de papeleiras e beateiras”.

O autarca do Partido Socialista (PS) questionou o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges (PSD) sobre a decisão de “não considerar o projeto da Junta de Freguesia de Sardoal que foi iniciado em princípios de maio para o qual foi pedida autorização para instalar” beateiras e papeleiras em diversos pontos da freguesia.

Em resposta “às questões ambientes”, Miguel Borges afirmou ser “muito simples” sublinhando ser competência da Câmara Municipal decidir sobre o mobiliário urbano. “Aquilo que sugeriu em nada se enquadra naquilo que entendemos que deve ser a nossa vila. É completamente descabido na nossa zona histórica […] é horrível. Não faz sentido no nosso município”, afirmou

O presidente da Câmara acusou o presidente da Junta de não saber esperar e o verniz estalou. “Não quis saber nada do que lhe disse e foi pôr nos seus espaços”, designadamente no parque de fitness, disse Miguel Borges, aconselhando o presidente da Junta a preocupar-se com as suas competências.

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Segundo Miguel Borges, as beateiras municipais chegaram também aos estabelecimentos de restauração, agora responsáveis pela limpeza, cinco metros à volta dos espaços.

Beateiras colocadas na vila pelo Município de Sardoal. Créditos CMS

Por seu lado, Miguel Alves disse que “a questão das beateiras só é tema porque não obtive resposta, se o que disse aqui tivesse dito por e-mail, estava tratado”, garantiu, acusando o presidente da Câmara de não dar conta do projeto em desenvolvimento.

“O que fez foi anunciar no dia 4 e concretizar com vasos no dia 13 de setembro. Nunca me disse que dispensamos o montante que vai gastar na freguesia, achamos que não estão adequados, achamos que o plástico reutilizável aproveitado em aterros não está enquadrado […] os vasos não são dispositivos, são vasos com areia para receber beatas, quando chover as beatas vão sair e vão novamente para os rueiros […] junto aos cafés as beateiras estão cheias de cascas de tremoços e papéis de pastilhas e cigarros. São coisas distintas”, notou Miguel Alvesm em relação à opção da Junta de Freguesia.

Além das papeleiras e beateiras, Miguel Alves abordou o assunto da distribuição do Boletim Municipal para notar falta de sensibilidade. “Colocaram um Boletim na Junta, que é sempre isso que têm feito; colocar de lado tudo o que seja da Junta de Freguesia, não valorizar, não vale a pena tapar o sol com a peneira”.

Isto porque a Câmara prescindiu do trabalho da Junta de Freguesia de distribuição de boletins, outro assunto que causou atrito entre os dois autarcas.

“O senhor levantou vários constrangimentos em relação à distribuição dos Boletins, até disse que punha em causa os acordos de execução. O que tínhamos combinado é: quando precisarmos da Junta pedimos, quando não precisarmos fazemos nós. Agora a devolução de um Boletim é de uma mesquinhez incrível, só mesmo quem quer complicar é que faz uma coisa destas!”, indignou-se Miguel Borges.

Beateiras colocadas na vila pela Junta de Freguesia de Sardoal. Créditos: JFS

Perante esta troca de palavras, acrescentando mais uma polémica quando o presidente da Junta de Freguesia de Sardoal diz que o Partido Socialista não terá, nas próximas eleições legislativas, membros nas mesas de voto em Valhascos “porque a Junta de Freguesia assim o quis”, o deputado Municipal do PSD, Francisco António, lembrando “o que se passou na última Assembleia Municipal ordinária”, apresentou uma declaração política.

Nesta acusa Miguel Alves de ser instruído “por uma espécie de doutrina política urbana praticada nos grandes aglomerados populacionais. Este tipo de forma de estar do politicamente correto não se enquadra no meio rural e não tem nada a ver com a sardoalidade”, defendeu.

Francisco António manifestou-se preocupado com “uma campanha” do presidente da Junta de Freguesia de Sardoal no sentido de ofuscar a imagem do PSD local. “O PSD do Sardoal tem uma maneira diferente de fazer política, sem atropelos, sem demagogias e sem procurar questiúnculas, não fazendo uso do tipo de armas de arremesso como tem sido utilizado pelo sr. Presidente da Junta de Freguesia de Sardoal nas redes sociais sempre em detrimento da Câmara Municipal”.

Miguel Alves optou por não responder a Francisco António, contudo, o socialista tinha preparada uma declaração política sobre “a reflexão política do deputado César Marques” nas redes sociais.

Afirmando como “fio condutor a política feita nas redes sociais” questionou algumas ações e o que essas acrescentaram ao Sardoal, nomeadamente “repertório” vindo da bancada adversária: “não lutes com um porco porque gosta e tu sujas-te, pessoas sem berço, ‘a’normalidades, cobardia política”, enumerou Miguel Alves questionando os deputados presentes se “se reveem nestas palavras”, e dispensando as reflexões do PSD “em jeito de recado como também qualquer tipo de lições de bom senso” vindas da bancada social democrata.

Após as palavras do presidente da Junta de Sardoal, Miguel Borges pediu a defesa da honra manifestando-se “emocionado” e lamentou que não tenha sido dito “quem é que nesta casa me acusou de ter agido com dolo e me chamou mentiroso”.

O presidente da Câmara reconheceu que as acusações entre as bancadas do PS e do PSD “não dignificam a classe política e afastam as pessoas da política. Vamos discutir ideias com rigor”, apelou.

Assembleia Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Por seu lado, César Marques (PSD) justifica a sua intervenção política com a publicação nas redes sociais de “documentos oficiais de situações gravosas ocorridas no seio da Junta de Freguesia de Sardoal e a pessoa envolvida também tem família, filhos, é funcionária do município, tudo isto é constrangedor para uma pessoa que está na nossa sociedade e no nosso dia a dia”.

Duas horas passadas de clima tenso, o presidente da Assembleia Municipal, Miguel Mora Alves, encerrou o PAOD afirmando que “a política é confrontação” mas recusa que os deputados municipais apresentem um discurso de “vitimização”.

No período destinado à Ordem do Dia os ânimos serenaram e todos os pontos foram aprovados por unanimidade, em matérias como a revisão orçamental, a situação económica e financeira semestral ou o fornecimento de energia elétrica em regime de mercado livre.

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