“Sara”, por Vasco Damas

Sara | Foto: Vasco Damas

Entraste na minha vida com uma suavidade que escondia a revolução que estava para acontecer. Eras dona de uma tranquilidade que camuflava a grandiosidade dos grandes sentimentos e aos poucos fomos descobrindo que ia deixando de fazer sentido tudo o que até então parecia estar no seu devido lugar e o que aparentemente não fazia sentido passou a ter um só sentido, sentido como apenas são sentidos os sentimentos maiores.

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Descobrir-te foi uma surpresa. Descobrir-nos foi uma dádiva. A compatibilidade, a cumplicidade, o oito e o oitenta, o côncavo e o convexo, a superação que nos ia mostrando e provando que não havia limites para onde nos íamos atraindo e para o começo da construção de algo que sem o sabermos já sentíamos que era especial.

Tivemos que atravessar um longo deserto até chegarmos ao oásis da nossa felicidade mas foram essas dificuldades que deram certeza ao que nos foi juntando. Recordo que tínhamos muitas dúvidas mas fomo-nos construindo nas certezas do nosso sentimento e hoje aqui estamos juntos a celebrar o teu aniversário.

Aqui chegados tenho a certeza do caminho trilhado. Sendo humana não podias ser perfeita mas a vida tem-me mostrado que até és demasiado perfeita dentro dos contornos das tuas imperfeições, de tal forma que eu não mudaria nada em ti… mesmo que me fossem dados poderes para o fazer.

Nem sempre temos estado alinhados mas rapidamente reencontramos o caminho e a vontade de um passa a ser o objetivo dos dois com “sombras”, “walkers” e Murakami numa “shortlist” muito resumida mas que serve de montra à partilha de um cocktail heterógeno de gostos que tem dado muito gosto.

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A nossa curta história já está repleta de momentos lindos mas a cereja no topo do bolo foi indiscutivelmente o nascimento da nossa filha. Depois dos cenários sombrios e das incertezas em relação a essa possibilidade, recordo com particular nitidez a tua expressão de desconfiança quando o teste deu finalmente positivo, seguido da ansiedade para saber se estava tudo bem antes e durante as primeiras ecografias e por fim a felicidade naquela em que a médica nos disse que era uma menina que vinha a caminho. A tua expressão “disse” o que até então tinhas silenciado. Verbalizavas para quem te ouvia que estavas convencida que era um menino mas em silêncio sempre desejaste ser mãe de uma menina. Em jeito de justiça poética foi feita a tua vontade que, sem o saberes, também era a minha vontade.

O momento do nascimento da nossa filha transformou-te. Continuaste a ser uma linda mulher mas passaste a ser uma excelente mãe. Hoje tenho a certeza que a nossa filha não podia ter melhor mãe e, definitivamente, eu não podia ter melhor mulher.

Por seres quem és, parabéns por mais este aniversário e obrigado por tudo o que tens feito na construção da nossa felicidade.

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