“São Martinho”, por Armando Fernandes

No dia de S. Martinho abrem-se os pipos e prova-se o vinho. Foto: DR

A secular efeméride não pode (não deve ser esquecida) por todos quantos concedem ao vinho a importância merecida, a de ser elemento estruturante da nossa dieta, no contexto da civilização Ocidental, contrariando os fundamentalistas abstencionistas que o entendem como inimigo. Obviamente, dentro do ensinado pelo provérbio – tudo o que é demais é moléstia –, abusar-se de tão nobre bebida provoca estragos no corpo, mazelas no espírito, as consequências da desmesura fluem exemplarmente nos cemitérios de ontem, de hoje e de amanhã porque muitas comunidades não os dispensam.

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Escrita a advertência não vão os ortodoxos (sem ofensa para os devotos da Igreja Ortodoxa) ficarem ofendidos e a espumarem raivas ao modo de Torquemada quando lhe escapava  um judeu, importa salientar as virtudes do vinho para lá dos referenciais simbólicos tão gritantes nas religiões, sem esquecer o Presidente da República que há dias avisou António Costa recorrendo às bodas de Canaã.

Na Igreja católica o Santo São Martinho ganha aos demais no entendimento de ser o padroeiro da vinha (onde se produz a bebida), o vinho e os seus amigos, inclusive os apaixonados ao modo de Romeu e Julieta. Se o leitor consultar um dicionário geográfico ou a Internet encontrará centenas de localidades cuja designação lembram o vinho, Arruda dos Vinhos). Caso não dê por terminada a consulta e souber rebuscar engrossa a lista, exemplifico recorrendo ao topónimo Verdelho (concelho de Santarém), ou ao cantado poeticamente Chave Dourada, vindo à luz do dia no concelho de Mação.

Através do Jornal de Abrantes fiquei a saber da existência de um restaurante pedagógico em Mação. O jantar de apresentação deu primazia à cozinha de outras paragens, caso do foie-gras (a notícia não indicava se de ganso ou pato) com um suspiro (de que substância?), ceviche (fórmula peruana?), e maigret do marreco sem referir o modo da execução culinária pois a preparação do pato requer a execução diferenciada das duas partes da ave.

Faço interrogações e aduzo comentários por se tratar de um restaurante pedagógico, e ironia das ironias esta crónica em louvor do Santo referência de tranquilos e intranquilos (vinhos), no dito restaurante da pedagogia a bebida servida foi champanhe de pêssego. E não colo sinal de admiração pois a no tocante a pedagogia existem escolas para todos os gostos.

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O Ribatejo – chancela TEJO – está a produzir excelentes vinhos, (o foie-gras casa bem com colheitas tardias), os quais têm conhecido crescente aumento de procura nos mercados nacionais e internacionais, podendo afirmar-se sem peias e pruridos que não temem confrontos onde quer que seja. Seria estultícia indicar proveniências, porém, mesmo no Tramagal, ponto focal do Médio Tejo , topamos e podemos degustar gratos vinhos  a perdurarem na nossa memória.

O Santo é pedra toque de múltiplos episódios pícaros, facécias, sermões, orações e outras invocações que noutra crónica ou crónicas irei referir, esta vai longa, agrupa comeres não servidos todos os dias na amesendação regional, espero que os alunos tenham aprendido a fazerem uma massa folhada de nove voltas ou a assar devidamente um tassalho de vitela, do mesmo modo a sugerirem convenientes maridagens entre vinho preferentemente do Ribatejo e comeres da nossa cozinha urbana e rural de vigamento tradicional.

No tocante ao mítico Chave Dourada, não disse o nome dos poetas porque ler e saborear a poesia dá um trabalhão dos diabos!

Não esqueçam: no dia de S. Martinho abram os pipos e provem o vinho.

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