Santarém | Seis concelhos do distrito com projeto para recolha de resíduos porta-a-porta

A Ecolezíria, empresa intermunicipal para o tratamento de resíduos sólidos, que serve seis concelhos do distrito de Santarém, apresentou em Almeirim, no dia 27 de novembro, juntamente com a associação ambientalista Zero, um projeto de recolha seletiva de resíduos porta-a-porta em 21.000 alojamentos.

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Além da recolha seletiva de resíduos porta-a-porta nas zonas urbanas de Almeirim, Alpiarça, Benavente, Cartaxo, Coruche e Salvaterra de Magos, a iniciativa prevê ainda a recolha de resíduos orgânicos em 14.000 alojamentos de quatro desses concelhos (à exceção de Alpiarça e de Benavente).

Os dois projetos, da ordem dos 900.000 euros, são cofinanciados pelo Programa Operacional para a Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos (POSEUR), tendo a Zero sido escolhida para colaborar na componente de sensibilização e divulgação do projeto, disse à Lusa o presidente do Conselho de Administração da empresa, Dionísio Mendes.

Sublinhando as metas definidas pela União Europeia para a reutilização e a reciclagem – de 55% do total de resíduos em 2025 e de 65% em 2035 -, a Ecolezíria afirma, em comunicado, que os projetos se inserem na estratégia de “zero resíduos” já adotada em vários municípios “um pouco por toda a Europa”.

A recolha seletiva porta-a-porta vai, nesta fase, abranger 30% dos alojamentos existentes, num total de cerca de 40.000 pessoas num universo de 123.000 habitantes dos seis concelhos, decorrendo ao longo do primeiro semestre de 2019 a campanha de sensibilização, com reuniões com juntas de freguesia, associações, coletividades e ações de contacto direto com os cidadãos, que serão convidados a preencher um inquérito para se conhecerem os seus hábitos de reciclagem e apelar à sua participação.

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Os habitantes envolvidos no projeto vão receber baldes para a separação dos resíduos orgânicos e sacos reutilizáveis para a separação dos resíduos em casa e sacos codificados para separação de papel e de plásticos, que serão postos à porta para recolha em diferentes dias da semana.

Dionísio Mendes realçou que vai ser introduzido um princípio de “premiação”, numa primeira fase com a atribuição de senhas ou vales-brinde que podem ser usados em compras no comércio local, sendo objetivo, a prazo, deduzir o valor correspondente ao peso e volume do lixo separado na tarifa fixa destinada à recolha de resíduos que consta da fatura da água.

“Queremos fazer uma distinção pela positiva”, afirmou.

Em relação à compostagem doméstica, vão ser distribuídos 7.500 compostores domésticos junto dos alojamentos incluídos na tipologia de moradia, sendo objetivo da empresa construir uma unidade de compostagem centralizada, com capacidade para tratamento de 10.000 toneladas/ano de biorresíduos, “logo que surja um novo aviso específico do POSEUR”.

Segundo o administrador, enquanto não possui esse equipamento, os resíduos orgânicos serão encaminhados para um parceiro, um operador situado em Coruche, para produção “de composto de qualidade e fazer retornar os nutrientes aos solos”.

A Ecolezíria quer igualmente candidatar-se para a criação de uma central de triagem de recicláveis, “por forma a melhorar a capacidade de preparação e encaminhamento dos diferentes materiais para reciclagem”, recorrendo, até lá, igualmente a um operador que separa contaminantes, compacta e envia para a Sociedade Ponto Verde, acrescentou.

Para as zonas rurais, onde a dispersão das habitações tornaria demasiado onerosa a recolha porta-a-porta, a empresa projeta reforçar o número de ecopontos, aumentando o rácio por número de habitantes.

Depois da selagem, em 2015, do aterro que geria, situado na Raposa, concelho de Almeirim, a Ecolezíria (fundada em 2004 e detida, desde 2015, exclusivamente pela Resiurb, Associação de Municípios para o Tratamento de Resíduos Sólidos) reposicionou-se para a recolha seletiva, “para que esta atinja níveis superiores aos previstos nas metas estabelecidas”, encaminhando os indiferenciados para o aterro da Resitejo, na Chamusca.

“Aumentando a separação, conseguiremos reduzir os resíduos encaminhados para aterro”, declarou Donísio Mendes, frisando que “com estes investimentos, e com a generalização da recolha porta-a-porta e da compostagem doméstica”, a Ecolezíria ambiciona tornar-se “não só num dos sistemas de gestão de resíduos sólidos que mais encaminha para reciclagem, como também aquele que mais reduziu a produção de resíduos indiferenciados, contribuindo assim para a prevenção”.

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