Santarém | Direção do BE veta nome de Carlos Matias, distrital não se conforma

Carlos Matias é o atual deputado do BE eleito por Santarém e a distrital quer a sa continuidade. A direção nacional tem outro entendimento. Foto: mediotejo.net

A direção nacional do Bloco de Esquerda está a ser acusada de “tentativa de ingerência” e de “pressão” sobre as distritais do partido, nomeadamente no Porto e em Santarém, na escolha dos candidatos a deputados às próximas legislativas.

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Em Santarém, o nome de Carlos Matias foi escolhido pelas bases para renovar o mandato de deputado, mas, num gesto inédito, a comissão política apresentou uma candidata alternativa (Fabíola Cardoso, da concelhia de Santarém) e enviou Pedro Filipe Soares, o líder da bancada parlamentar, para este sábado ir ao plenário a Santarém acompanhar o processo de nomeação. “Uma pressão inaceitável”, dizem fontes do Bloco de Santarém, avança hoje o jornal Expresso.

O nome de Carlos Matias tinha sido já aprovado sem oposição no final de 2018 e confirmado sem votos contra pela direção distrital em fevereiro, pelo que a situação está a causar “mau estar” e “muito desagrado” aos bloquistas do distrito de Santarém.

Em Santarém, o nome de Carlos Matias foi escolhido pelas bases para renovar o mandato de deputado, mas, num gesto inédito, a comissão política apresentou uma candidata alternativa. Fabíola Cardoso (à esq na foto)) é da concelhia do BE de Santarém. Foto: DR

Em declarações ao mediotejo.net, Romão Ramos, membro do secretariado distrital do BE de Santarém disse que esta situação configura “uma completa ingerência das estruturas nacionais nas decisões que são do distrito”.

“O clima criado é impróprio de um partido que se apresentou ao país há quase duas décadas assumindo que tinha aprendido com os erros das experiências e dos modelos de organização dos partidos socialistas europeus e que pretendia ser um partido de bases, plural, para criar uma nova esquerda alternativa e, ao contrário, com este tipo de procedimentos assume que efectivamente nada aprendeu com as experiências passadas e aos poucos está a instalar no BE um modelo de um partido sectário, ortodoxo, em que as bases tem de estar disponíveis para aceitar as diretivas do secretariado nacional e da comissão política nacional”, afirmou Romão ramos.

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Romão Ramos, membro do secretariado distrital do BE de Santarém disse que esta situação configura “uma completa ingerência das estruturas nacionais nas decisões que são do distrito”. Foto: DR

O dirigente partidário disse que a distrital do BE vai “manter e defender o nome de Carlos Matias” como cabeça de lista por Santarém como deputado a eleger nas próximas legislativas, “em conformidade com uma decisão tomada há muito tempo e inclusive anunciada pelo mediotejo.net”, concluiu.

Na distrital portuense, a lista encabeçada por Catarina Martins foi recusada por 40% dos dirigentes locais e, em abaixo assinado, 73 bloquistas do Porto apelaram ao “debate para encontrar uma proposta de lista sem exclusões”, refere hoje o Expresso.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Quem tem telhados de vidro não deve atirar pedras. As afirmações desse suposto dirigente distrital de Santarém, escandalizado com uma designada ingerência da comissão política assentam-lhe a ele de forma perfeita, pois, quando foi despedido de funcionário da Distrital Portalegre fez pior ainda, suscitando rupturas golpistas nesta Distrital. Perdeu mais uma oportunidade de ser bombeiro em vez de incendiário e de estar calado. O que se passa em Santarém está previsto no regulamento aprovado por larguíssima maioria na Mesa Nacional e que confere a esta a última palavra sobre 1/5 dos efectivos de cada lista. Independentemente da qualidade do deputado em causa penso que se deve promover uma rotação para evitar aquilo que é muito criticado por variadíssimos sectores da sociedade portuguesa: a profissionalização dos deputados. Para além disso não vejo qualquer relevância numa recusa de 40% no Porto – não deixa de ser minoria.

    • Em primeiro lugar, confunde a mensagem com o mensageiro. Uma falácia que serve para introduzir a desinformação que a MN e a CP andam a divulgar e que você transporta para aqui, consciente ou inconscientemente. E por mais “telhados de vidro” que este Romão tenha, por favor, se for a bem da verdade, que atire todas as pedras ! Era o que faltava alguém esconder a verdade só porque terceiros dão importância a frases feitas.

      Os estatutos, e nomeadamente o ponto 5 do art 10, fazem depender qualquer iniciativa de apresentação de listas das Assembleias Distritais e Regionais. Sendo que a MN decidirá os cabeças de lista entre os membros presentes na lista apresentada pela Assembleia Distrital. Até pode arbitrar caso a distrital, pelos mais variados motivos, não se entenda com a lista a apresenta, mas em lado algum refere que a MN apresente uma lista ou possa nomear quem quer que seja para a lista. No que toca ao que a MN pode fazer, o que está escrito nos estatutos, só mencionam A ORDEM dos primeiros candidatos. Eu entendo que a MN e a CP enganem os aderentes mas não vou deixar de esclarecer tudo sobre este assunto e as mentiras que flutuam pela internet. Portanto, reafirmo que nada disto está “previsto no regulamento”. Quem afirme o contrário, está a mentir.

      Quanto ao argumento da “rotação”, não poderia estar mais longe da realidade, pois tal “rotação” só foi feita em 3 distritos. Aliás, a Catarina Martins afirmou que as listas aprovadas são de continuidade. Contrariando o que você diz e contrariando-se a si própria e ao partido. Mas o feudo da cúpula não desiste e está-se pouco importando se as bases decidem isto ou aquilo. Para eles, para a MN e para a CP, as bases são “mato”. E “mato” que deve ser aparado de vez em quando, como é o caso.

      Quanto a ver 40% como sendo uma minoria, diz muito sobre a forma como olha para a democracia. Não dar relevância a tal número, é não aprender nem saber nada sobre as lições da história e também demonstra o sentimento de impunidade sobre o total controlo, por parte da MN e da CP, à revelia dos estatutos. Os aderentes ainda se sentem confortáveis com tão pouca diferença no segundo distrito mais importante do país. Muito bem. Mas eu pergunto, como podem as pessoas estar confortáveis com isto ? Sinceramente, este não é o bloco que conheço e defendi. É um travesti de uma dúzia no poder que distribui os cargos por quem bem lhes apetece. Quem se opõe, leva com eles, enquanto deviam ser eles que deviam levar com mais democracia.

  2. Há gente que, talvez por ficar de fora, agita cobras e lagartos para dizer mal (fake news?) servindo-se de percentagens para dar maior realce ao que pretendem. No Porto, assim parece ter sido, porque na Comissão Distrital a lista apresentada apenas teve um voto contra e seis abstenções e 13 votos a favor!
    Já na Assembleia de Aderentes, além de não ter sido apresentada qualquer lista alternativa, a percentagem de votos a favor chegou aos 80% sendo os restantes 20% de votos nulos e brancos.

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