“Saladas”, por Armando Fernandes

Foto: DR

O Verão convida a comeres frescos, pouco pesados, carregados de cromatismo, acompanhados por vinhos mais leves, esfuziantes, muitos deles intranquilos, para lá da cerveja, sidra e…água inodora, insípida e incolor. A sazão estival é época de saladas, muitas saladas, sejam de índole cromática, ao exemplo das construções culinárias sul-coreanas, do Norte pouco sabemos, para lá propaganda, sejam baseadas nos produtos do Novo Mundo, pimentas, pimentos, milho maís, tomates, ou num casamento das matérias-primas originárias do Médio Oriente e Oriente sem esquecer a África da malagueta, do caju, da manga e da miscigenação.

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A globalização centrada na mobilidade dos produtos, a greve dos camionistas é um travão, são nos dias que correm as escoras essenciais para os mercados não esgotarem as existências, no caso em apreço imprescindíveis a diariamente termos a faculdade de nas nossas casas aparecerem sobre a mesa saladas capazes de nos regalarem e quantas vezes a salientarem a labuta das mulheres e homens nas hortas e quintais onde semeiam e plantam novidades regadas com o suor do rosto de pessoas idosas cientes de ainda possuírem capacidades e forças a resistirem enquanto puderem.

Saladas de peixe também marcam presença nos dias calmosos, sim, não deixo no limbo do esquecimento a célebre masturbação onanista de bacalhau mais ou menos bem apimentada e azeitada ao gosto de cada oficiante. A dita cuja receita é apresentada em numerosas variantes ou não fosse o gadídeo nosso fiel amigo desde há setecentos anos.

Saladas de carnes frias também devem ser incluídas na carta doméstica de aproveitamento de sobras pois a economia preconizada por Centeno não é diferente da salazarista, aves de capoeira, coelho, borrego e vaca, as mais usuais, após serem bem esfiapadas serem colocadas a marinar durante algumas horas dão azo a macerações capazes de só por elas próprias constituírem o prato principal seja ao almoço, ao jantar e quando nos der vontade.

Na área dos cogumelos (nesta altura de colheita no supermercado a par dos espargos) salvam a «honra do convento» numa situação inopinada dada a sua versatilidade, é tudo uma questão de arte e engenho ao sabor da experiência praticada umas vezes inspirada nos programas de televisão dedicados à gastronomia, outras herdadas das avós e como todos sabemos nada chega às saladas e outros comeres da autoria das saudosas avós. Lembrem-nas!

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GIN-TONIC

Não, não vou dissertar acerca das virtudes do gin misturado com quinino em água tónica dos oficiais de Sua Majestade da Grã-Bretanha quando estanciavam na Índia, assim foi até ao final do Império, também omitirei opinião acerca do livro de Mário-Henrique Leiria, cujo título é o desta crónica, o surrealista que ainda conheci era figura destemperada da noite lisboeta que principiava para o grupo no café Gelo ou o Monte Carlo, locais de discussões sem fim, muita bebida que Luiz Pacheco não pagava.

Sobre o gin-tonic está tudo publicado nos manuais britânicos que Miguel Esteves Cardoso vai esclarecendo as particularidades da pureza da água e do gelo, a associação ao quinino e tudo o mais ou não fosse MEC apaixonado por esta bebida. O leitor perguntará? Então se eu não vou teclar acerca desta bebida espirituosa, refrigério dos contistas de proezas militares, porque motivo gasto energias a enunciar o gin-tonic?

Respondo de rompante zangado com João Moura, candidato a deputado pelo PSD, queria ser cabeça de lista, Rui Rio não lhe fez a vontade, por isso mesmo dá entrevistas prenhas de rancor, e na qualidade de Presidente da distrital consegue rasteirar o sizo provocando o riso estrepitoso, gargalhado, até sardónico dada a sua tendência para a asneira.

A minha zanga prende-se com o facto de a Direcção do PSD ter solicitado às distritais o envio de produtos alimentares de cada região a fim de serem degustados no decorrer da tradicional festa do Pontal. E Moura, qual luminária acaciana (espero que saiba o significado) contratou um bartender, ou serão dois barmans, a fim de irem ao Algarve preparem o gin elaborado no Ribatejo. É verdade!?

O distinto candidato entendeu ser o gin ribatejano o melhor e mais simbólico produto da Província, para lá do insulto aos comeres incluindo os doces, para lá da aleivosia a denegrir os vinhos tranquilos e intranquilos, trazer a terreiro o gin ou gim criado a partir de cereais na Holanda e posteriormente aperfeiçoado na Inglaterra. A iniciativa despudorada do «sabichão» de Ourém merece repúdio de modo a os votantes não prejudicarem o partido laranja na justa medida de um dirigente desprovido de bom senso e visão estratégica não representa a generalidade dos militantes em geral e dos activistas em particular. Uma pergunta: serão efeitos da estação maluca?

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