“Saber ser”, por Vasco Damas

Reabro um tema antigo para reflexão e eventual discussão. É preferível ser um bom profissional ou ser uma boa pessoa? No nosso caso o que preferimos? Cruzarmo-nos com profissionais de excelência ou com pessoas que respeitam os valores básicos de cidadania e que fazem da ética a sua filosofia de vida?

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É óbvio que o ideal será cruzarmo-nos com aqueles que reúnem ambas as características mas sabemos bem que não é sempre assim, ou se preferirem, não é normalmente assim.

“Deitando achas para a fogueira”, de que serve ser um profissional extremamente competente e referencia entre os seus pares se a sua arrogância não lhe permitir saudar com um básico “bom dia” quando entra num local público ou se o seu egoísmo não o impede de deixar o carro mal estacionado sem se preocupar com os incómodos que provocará a todos os outros cidadãos que têm o desplante e a ousadia de respirar o mesmo ar que ele.

Colocando as coisas nestes termos parece-me que até aqui a maioria de nós preferirá a boa pessoa em detrimento do bom profissional mas talvez a tendência se altere se, em caso limite, o profissional competente que convive no mesmo corpo com o cidadão intragável for o médico que nos pode salvar a vida ou para aumentar a carga dramática da questão, que pode salvar a vida do nosso filho.

Mesmo que não o queiramos admitir, há posições racionais que se alteram por motivos emocionais mas, tirando estas exceções, continuo a pensar que é preferível saber ser e saber estar em detrimento do domínio do saber saber, até porque na minha opinião, por mais complexas que sejam, parece-me menos difícil treinar e desenvolver competências técnicas do que alterar traços de personalidade.

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Talvez por isso, conscientes desta realidade, em algumas latitudes orientais, antes do desenvolvimento das competências técnicas, a escola foca-se no desenvolvimento da criança com base nos tais valores básicos de cidadania com particular incidência no respeito pelo outro e pelo bem comum.

Revejo-me na filosofia deste método de ensino e reconheço-lhe muito maior utilidade quando comparado com o nosso porque, se quisermos ser honestos, muito daquilo que todos nós aprendemos na escola acaba por não ter qualquer tipo de aplicação prática na nossa vida quotidiana.

Não sou pedagogo e não tenho as respostas certas para estas inquietações mas acredito que com um maior equilíbrio e uma inversão entre os saberes que referi anteriormente, antes de bons alunos a escola estaria a formar bons cidadãos e numa lógica de médio prazo os ganhos seriam visíveis, tanto para o individuo como para a sociedade.

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