Batalhão em estado de “prontidão” no Kosovo para consoada “em família… militar”

Quase 200 efetivos que constituem, com 136 húngaros, a reserva tática terrestre da NATO no Kosovo, encontram-se em estado de “eficácia e prontidão”, lema do 2.º Batalhão de Infantaria Mecanizado (2BIMec), mas para um Natal em Pristina.

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A 24 horas da consoada, os 191 elementos, entre os quais nem 10% de mulheres, receberam a visita do ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, e do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Pina Monteiro, para os cumprimentos da quadra.

Chegada em outubro como a maior parte do atual contingente, a sargento-ajudante Conceição Monteiro, do Cartaxo e com 45 anos, desdramatiza o facto de estar longe da família e do país até porque “não é o primeiro Natal fora”.

“Sente-se falta dos familiares, dos amigos, daquele conforto da casa-mãe, mas acaba por ser também um pouco isso com os nossos camaradas da família militar. Também somos uma família e passamos bem, com as nossas tradições, as azevias, o bacalhau…”, disse a especialista em transmissões, que também, como a maioria do efetivo, aproveita as aplicações informáticas de videochamada pela Internet para matar saudades entre o Kosovo e Portugal.

Azeredo Lopes mereceu a habitual guarda de honra por parte dos militares portugueses antes de um primeiro “briefing” (reunião de informação) com o tenente-coronel Carlos Macieira sobre a atividade da KFOR (forças da NATO no Kosovo) e do batalhão lusos em particular.

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Já depois do almoço, no bar-sala de convívio “Casa de Portugal” – um barracão de madeira pré-fabricada, como a maior parte dos edifícios do campo militar “Slim Lines” – o ministro da Defesa, com o soldado Sérgio Ferreira a comandar o guarda-redes e os defesas, atacou inapelavelmente os adversários – também soldados portugueses – vencendo um jogo de matraquilhos, por 4-2, com os bonecos divididos entre Portugal e Hungria.

Um exercício de controlo de tumultos, com as viaturas blindadas Pandur e forças antimotim depois e foi tempo de rumar ao novo “briefing”, desta feita com o comandante da KFOR, o major-general italiano Guglielmo Miglietta, já no campo militar Film City.

Para trás tinham ficado, entre muitos outros, o mais velho e o mais novo dos elementos portugueses em Pristina, curiosamente pai e filho: o sargento-chefe José Gouveia, de 52 anos, e o praça Rui Gouveia, 20 anos, originários de Lamego. O mais experiente já tinha estado em Angola e uma outra vez no Kosovo, mas nunca por altura do Natal.

Já o seu herdeiro, Rui, estreia-se em missão externa e num dezembro diferente dos outros, embora com “o facto reconfortante de estar junto do pai”, além da “grande família militar”.

“Tradições, Em Abrantes, Com lagartas, Avançar, o Inimigo, Combater, Para a Glória, Alcançar, Eficácia, Eficácia, Eficácia, Pron-ti-dão!”, prometeram José e Rui e todos os seus “camaradas”, a plenos pulmões, no refeitório, depois de servido o creme de marisco e o “strogonof” de frango, com arroz de passas, reservado que está o tradicional bacalhau com todos para quinta-feira.

A KFOR está no Kosovo desde 12 de junho de 1999, na sequência da campanha de bombardeamentos aéreos da Aliança Atlântica. Já chegaram ser cerca de 50.000 militares empregados pelos diversos países colaborantes, mas agora são ao todo perto de 5.000. Portugal sempre contribuiu neste cenário de operações.

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