“Repensar a escola”, por Vasco Damas

Foto: Alexas, Pixabay

A escola devia ser um local seguro frequentado por jovens motivados com o objetivo de construírem alicerces fortes para serem adultos competentes.

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Concordo que o processo de educação começa na casa de cada um e, exatamente por causa disso, o papel dos pais é insubstituível, mas apesar disto, acho que a escola não se deve demitir da responsabilidade de ser um complemento fundamental e imprescindível nesse processo.

Precisamente por causa disto, considero que a escola é o local privilegiado para a consolidação dos valores básicos que são responsáveis pela construção do mosaico social onde assentam as sociedades modernas e desenvolvidas.

O respeito e a tolerância perante as diferenças fazem parte de alguns destes valores que deviam ser identificados com a mesma naturalidade como respiramos.

Vem isto a propósito de um fenómeno com o qual me cruzei e que me incomodou profundamente porque me senti negativamente contagiado pelos danos que ele estava potencialmente a provocar.

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Há dias, num determinado cenário que não preciso identificar, em conversa com algumas jovens pude constatar que o fenómeno do bullying é uma prática que virou moda e que se repete mais vezes do que seria suposto e admissível.

O mais grave foi ter percebido que alguns desses episódios já têm 5 ou 6 anos mas as marcas profundas que deixaram em quem sofreu esses ataques em plena fase de construção da sua personalidade pode deixar sequelas que comprometerão o normal desenvolvimento da autoestima com consequências diretas no processo de crescimento e de integração social.

De acordo com aquilo que pude confirmar, todos os ataques que referi anteriormente ocorreram no local que deveria ser um lugar seguro para todos os jovens, a escola, precisamente.

De forma assustadoramente padronizada, as jovens que foram vítimas destes ataques sofreram em silêncio sem nenhuma tentativa de pedido de ajuda.

Esta realidade deve fazer soar o alerta e diz-nos que devemos ser mais vigilantes e estar mais atentos a alguns sinais para impedir que estes fenómenos se continuem a repetir diariamente nas escolas portuguesas.

Talvez seja fundamental repensar a escola de forma transversal desde os conteúdos até à segurança física e psicológica de quem a frequenta.

Temos o dever de condenar estes ataques mas não nos podemos esquecer de sensibilizar as vítimas para denunciarem os atacantes, protegendo-as posteriormente de eventuais represálias.

A generalizada falta de respeito a que assistimos diariamente nas escolas portuguesas tem que ser parada e tem que ser assumida como uma batalha prioritária a ser travada imediatamente por todos porque todos temos as nossas responsabilidades nesta batalha. Pais, professores, auxiliares, responsáveis pela tutela e agentes da autoridade.

Se continuarmos a fingir que nada se passa, além de não nos aproximarmos da resolução deste problema, estaremos a ser cúmplices da situação e dos agressores.

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