“Reflexão de meia idade”, por Vasco Damas

Há momentos na vida que nos pedem, quase exigindo, que reflitamos. De forma natural, automática, quase mecânica. É um facto que todos nós somos melhores que o pior dos nossos atos. Talvez por isso ainda haja esperança. Esperança que é sempre a última a morrer e que existirá enquanto houver tempo. Tempo que parece ser a chave mas que se limita a ser o caminho para a oportunidade. Aquela que se encerra dentro de nós e que não é mais que a atitude que mostra a vontade de fazer acontecer.

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Que assim seja. Haja tempo, demonstremos vontade e o melhor de nós surgirá naturalmente.

Vem isto a propósito daquilo que observo, daquilo que acontece e que me faz questionar a sua autenticidade, do rumo que levamos, da falta de ética, da impunidade, da destruição mas antes de tudo isto, de quem eu sou quando ninguém me vê.

Não posso alterar a ordem do mundo, não tenho a faculdade de parar as mortes no Mediterrâneo, não tenho a capacidade para resolver o problema da corrupção no nosso país, não consigo modificar mentalidades tacanhas e mesquinhas nem posso eliminar os “Trump’s” que fazem questão de se ir multiplicando de forma verdadeiramente assustadora. Não sou de todo a solução para os problemas da Humanidade… mas posso ser a solução para os meus problemas. Não para todos, mas certamente para uma generosa parte deles.

Ganhando consciência que o erro faz parte do processo, mas que ele só faz sentido se se aprender que não pode ser repetido. Ganhando consciência que ainda há tempo para corrigir o que ainda é possível corrigir. Ganhando consciência que enquanto houver tempo há possibilidade.

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Todos nós somos melhores que o pior dos nossos atos mas também somos pior que o melhor dos nossos atos. Não é por isso justo que se façam análises pontuais em processos complexos e não é de todo justo que se façam análises pontuais em atitudes extremas.

Como em tudo o resto, no meio estará a virtude e o desafio será perceber para que extremo balança esse meio para avaliarmos corretamente as nossas virtudes. Não apenas aquelas que mostramos, mas sobretudo aquelas que sabemos que escondemos.

Reflexão em jeito de autorreflexão ou avaliação em forma de autoavaliação, chegando à conclusão que somos o somatório dos nossos atos e que enquanto houver tempo ainda temos oportunidade para desequilibrar os pratos da balança. Para o bem ou para o mal. Mas com uma certeza: a decisão será sempre nossa e o resultado daquilo que somos será sempre reflexo da nossa responsabilidade.

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