“Recomeçar em abril”, por Vânia Grácio

Vítimas do ciclone Idai, em Moçambique. Foto: Cruz Vermelha Internacional

Abril está à porta. É o mês da liberdade conquistada pelos nossos pais e avós. A liberdade que todos merecemos para podermos viver a nossa vida, para podermos crescer em harmonia, com justiça e igualdade de direitos.

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Abril é também o mês que lembra a necessidade de proteção das crianças e jovens. Já todos devem ter ouvido a história da avó que colocou um laço azul na antena do seu carro para sensibilizar a sua comunidade para os maus tratos de que os seus netos foram vítimas. Por esta altura, em todo o mundo, vemos laços azuis por toda a parte e há iniciativas para que não esqueçamos que os maus tratos têm de ser prevenidos. Já aqui escrevi sobre isso, e nunca deixa de ser um assunto atual (infelizmente). Não mudaram muito as políticas da saúde, da educação, do mercado de trabalho e da justiça, desde o ano passado para cá. Por esse motivo é necessário voltarmos a falar neste assunto.

Falar em proteger as crianças não é apenas falar em não lhes bater. É muito mais do que isso. É óbvio que os maus tratos físicos e psíquicos são muito graves e têm de existir medidas duras de penalização a quem os inflige a estes seres desprotegidos. Mas a proteção de menores é muito mais que penalizar quem trata mal as crianças. Proteger é prevenir, é criar medidas de apoio às famílias, medidas de integração das crianças nas escolas, medidas de promoção de competências pessoais e sociais, medidas de emprego para os pais/cuidadores, criar medidas de promoção à saúde, como por exemplo o acesso por todos às vacinas. Apoiar as famílias para que possam ter tempo de qualidade com os seus filhos, para que promovam laços fortes e relações positivas.

Diz-nos a literatura e a experiência que ambientes tranquilos, onde existem laços fortes de vinculação, onde existe afeto, os maus tratos são muito menores ou não existem. Este ano, gostava de ver campanhas que dessem indicação sobre os tipos de maus tratos e o impacto que esses atos têm no bem-estar na criança, gostava de ver campanhas pela positiva, que dêem estratégias, sugestões, que se apliquem medidas de promoção do bem-estar família e da (re) construção dos laços afectivos.

Quando olhamos para países irmãos que passam por situações como a que Moçambique atravessa, sentimo-nos pequeninos e desvalorizamos totalmente as pequenas coisas que nos aborrecem no dia-a-dia e que não são nada perto da situação que estas pessoas estão a viver. Crianças que ficaram sem pais, famílias que ficaram sem os seus poucos bens. Uma terra onde havia pouco e onde as pessoas passaram a ter uma mão cheia de nada. Que casos de fraude conhecidos por todos não nos inibam de fazer a diferença. Estas pessoas precisam de nós e existem muitas formas de ajudar. Estas crianças precisam de todos. Que abril seja um mês de recomeço para todos.

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