“Rancho”, por Armando Fernandes

Rancho à moda de Viseu. Foto: DR

Juro e jurarei, ao rancho e ao pré nunca faltarei.

PUB

No código não escrito dos militares nunca faltar à papança do rancho era preceito a cumprir rigorosamente a par de oferecimento como voluntário nem para comer fosse o que fosse.

O rancho militar caracterizava-se por ser um compósito de carne quanta houvesse, manga de capote em conúbio saltitantes grãos-de-bico, rodelas de enchidos, sal, pimenta e…água. Esta fórmula base podia incorporar hortelã, cenouras e outras raízes, no entanto, a tríade – carne, macarrão e grão-de-bico – constituía o essencial dessa receita tão conhecida de todos quantos sentaram o fio-ó-fó à volta das mesas rectangulares dos refeitórios cá e no circuito da guerra colonial.

Se cotejarmos receituários regionais podemos ler inúmeras receitas de rancho, dando plena expressão ao provérbio – cada roca com seu fuso, cada terra com seu uso –, num alarde de intrusão na referida receita de inúmeros produtos salientes aqui e acolá, podendo-se afirmar sem rebuço que existem centenas de formulações culinárias sempre apresentadas como o supra sumo, ao estilo: este rancho é o melhor do Mundo! No caso em apreço o Mundo é pequeno, os apreciadores dizem de sua justiça e sempre que podem estabelecem comparações.

Pois bem, na semana passada o cardápio do restaurante Dom Vinho dava conta da existência de rancho ao modo de Viseu. Foi escolhido o dito cujo, veio em terrina de louça fina, rescendia bem, de imediato o prato recebeu uma porção. Odoroso a hortelã, pontos de cozedura acertados, o das carnes e enchidos, o dos vegetais, milho suculento pela harmonia dos condimentos. Para lá das exclamações de júbilo o preparado recebeu as merecidas atenções em termos de degustação. Não devo salientar outros detalhes no tocante à sua confecção porque todos quantos forem ao Dom Vinho a fim de apreciarem esta receita depressa percebem a causa.

PUB

PS. O Dom Vinho está aberto todos os dias, às sextas-feiras

Vinho pró rancho e não só!

Um rancho desmilitarizado da estirpe do servido no restaurante Dom Vinho merece um néctar à altura desta Região, da chancela Tejo. Porque o julgo ajustado e capaz de engrandecer os comeres que acompanha trago a terreiro tinto Encosta do Sobral, casta Syrah, colheita de 2015, Sobral, Outeiro, Tomar.

Trata-se de um vinho acetinado na garganta, logo de guloso beber, no copo de prova revelou-se cintilante num granadino sem mácula, no referente a aromas os mesmo chegaram ao nariz aprazíveis a referirem fruta madura, polpuda, bem como a matizes minerais, no palato prevaleceu a harmoniosa estrutura a despertar tentações. O tal guloso beber!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here