Programa ajuda PME a criar planos de negócio e encontrar financiamento fora da banca

Domingos Chambel, vice-presidente da Direção da NERSANT, discursa na sessão de abertura da sessão de apresentação do novo sistema de incentivos à inovação. Foto: Nersant

Pequenas e Médias Empresas (PME) de Santarém, Leiria, Porto, Aveiro e Famalicão vão poder, a partir de março, ter acesso a consultoria especializada e a fontes de financiamento alternativas à banca, no âmbito do programa “Finance for Growth”.

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Promovido pelas associações empresarial e industrial portuguesa (AEP e AIP), o programa, aprovado em maio de 2018, iniciou esta semana a sua fase de concretização com a realização de sessões de apresentação junto das empresas, sensibilizando-as para que participem gratuitamente num programa de “formação executiva de alto nível”, para melhoria da sua eficácia e preparação de planos de negócio, e acesso a financiamento.

Paulo Caldas, diretor de Economia, Financiamento e Inovação da AIP, que apresentou na quinta-feira o programa a empresários do distrito de Santarém, disse à Lusa que está a ser facultado aos empresários destas cinco regiões consultoria “de alto nível”, com formação executiva no terreno, descentralizada, que, no mercado, custaria 35.000 a 50.000 euros.

O objetivo, disse, é, com uma visão holística das empresas, levá-las a terem planos de negócio sustentados e acesso a credores e investidores nacionais e internacionais.

O programa, cofinanciado pelo Compete 2020, através do Portugal 2020 e do fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, tem entre os seus parceiros a Euronext, a Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), a Caixa Geral de Depósitos, no âmbito do programa Capitalizar, e a Universidade Católica (parceira na formação).

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Na sessão realizada em Santarém, com o apoio da Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant), o presidente da AIP, José Eduardo Carvalho, afirmou que o financiamento alternativo ao sistema bancário é, a par do redimensionamento empresarial, uma área “difícil” e pouco trabalhada em Portugal, o que exemplificou com o facto de serem as que apresentam “piores resultados” no Portugal 2020.

Para as empresas que decidirem integrar o programa, seguir-se-ão seis sessões que permitirão avaliar a empresa do ponto de vista da gestão de risco e “induzir à mudança e à inovação”, trabalho a ser prosseguido em “laboratórios”, que culminarão com um plano de negócios “com ações concretas” e que será apresentado a potenciais investidores e financiadores.

Domingos Chambel, vice-presidente da Nersant, disse aos empresários do distrito que esta é uma oportunidade para se focarem na estratégia, na gestão dos seus recursos humanos, nos seus produtos, tão “frequentemente ultrapassados pelas dificuldades financeiras das empresas”, pelo esforço diário de “fugir atrás de soluções para tapar buracos financeiros”.

As sessões de divulgação do projeto incluem a apresentação de casos de sucesso, de empresas que revelam boas práticas e são capazes de acautelar a rentabilidade do investimento e apresentam uma adequada gestão de risco.

Os exemplos apresentados na sessão foram o de duas empresas da região, uma delas uma pequena empresa criada há quatro anos em Santarém, a Trim Nw, fornecedora da indústria automóvel, que exporta 90% da sua produção.

Criada por quatro engenheiros a partir da empresa em que trabalhavam e que faliu, a Trim Nw teve que recorrer inicialmente a um banco francês para se financiar, dada a recusa da banca nacional, e está atualmente a trabalhar com uma empresa de capital de risco, que presta igualmente apoio à gestão, disse o seu presidente, Rui Lopes.

O outro exemplo foi o da Politejo, empresa familiar criada em 1978 na Azambuja e que conta atualmente com nove unidades fabris (de tubos termoplásticos) em Portugal, Espanha, Moçambique, Brasil e Angola.

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