Ponte de Sor | Augusto Santos Silva e os “bons exemplos” de investimentos da diáspora no Aeródromo Municipal

Augusto Santos Silva, acompanhado do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro e do secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, durante uma visita ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, onde visitou a empresa Tekever. Créditos: mediotejo.net

No âmbito do acompanhamento de projetos e da valorização da componente empreendedora na diáspora, o ministro dos Negócios Estrangeiros esteve na quarta-feira no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor onde ficou a conhecer duas empresas que ali instalaram através do Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora, e que foram consideradas como “bons exemplos”. Falando também como sociólogo, Augusto Santos Silva enalteceu a emigração como “o grande fator de modernização do País”.

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O ministro dos Negócios Estrangeiros, acompanhado do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, e do secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, esteve na quarta-feira, 26 de junho, em Ponte de Sor para reforçar a ideia de que o Governo incentiva o regresso dos emigrantes a Portugal. Augusto Santos Silva ficou a conhecer iniciativas empresariais com origem na diáspora portuguesa, e cujos investimentos têm sido acompanhados pelo Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A visita ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no âmbito “do acompanhamento de projetos e da valorização da componente empreendedora na diáspora”, o ministro dos Negócios Estrangeiros conheceu duas empresas que se instalaram naquela cidade do norte alentejano através do Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora. Falando também na qualidade de sociólogo, Augusto Santos Silva considerou a emigração como “o grande fator de modernização do País”.

Segundo o governante os emigrantes são “bons embaixadores da qualidade da mão-de-obra portuguesa e um bom cartão de visita de Portugal no estrangeiro”. Falando numa emigração “tipicamente de dupla âncora”, em Portugal e no país de acolhimento, considerou a emigração portuguesa como “uma espécie de campanha de marketing sem que tenhamos de pagar por ela. São os melhores propagandistas das nossas paisagens, da qualidade da nossa gastronomia, da simpatia e da segurança do nosso País”, notou.

Augusto Santos Silva, acompanhado do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro e do secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, durante uma visita ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, onde visitou a empresa Tekever. Créditos: mediotejo.net

Para o ministro, criar programas que facilitem o investimento em Portugal de portugueses na diáspora “é outra maneira muito importante de aproveitar os capitais que os portugueses foram aforrando, constituindo no estrangeiro, a sua qualificação profissional, a sua qualificação empresarial para propor-lhes Portugal como um destino do seu investimento”.

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Em Ponte de Sor, Augusto Santos Silva conheceu a empresa Be-On, ligada ao desenvolvimento de soluções para aproveitamento de energia solar. Uma empresa de Rui Rodrigues que regressou a casa após 10 anos no estrangeiro e já conta com 100 mil equipamentos vendidos, instalados em 20 mil habitações. Mereceu ainda 10 prémios a nível mundial sendo considerada a melhor startup de energia do mundo em Silicon Valley, na Califórnia. A Be-On fabricará os equipamentos em Ponte de Sor com o objetivo de exportar para todo o mundo.

No decorrer da visita foi ainda apresentada ao governante a empresa REXIAA, ligada à indústria de produção de componentes para os setores da aeronáutica e transportes. Esta empresa vai instalar-se no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor a partir de outubro, criando 80 postos de trabalho, na sequência de um investimento de cinco milhões de euros.

Augusto Santos Silva, acompanhado do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro e do secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, durante uma visita ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, onde visitou a empresa Tekever. Créditos: mediotejo.net

O Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora está vocacionado para identificar, apoiar e facilitar o micro e pequeno investimento com origem nas Comunidades Portuguesas e Luso-descendentes dirigido a Portugal, acompanhar projetos em curso ou em perspetiva e estimular e orientar as iniciativas de internacionalização de empresas de base regional, da referida dimensão.

Nessa sequência, Augusto Santos Silva indicou que a ideia do Governo passa por “manter esta ligação adaptando-nos às novas formas da emigração, muito bem exemplificadas” em Ponte de Sor.

“A emigração portuguesa é cada vez mais constituída por quadros profissionais. A nossa lógica é apoiar estes esforços acelerando-os, valorizando municípios, organizações empresariais, universidades e institutos politécnicos, apoiá-los pelo esforço de constituir meios propícios para o desenvolvimento da economia e tecnologia no seu território e criar em articulação com as regiões, gabinetes que apoiem e ajudem os investidores da diáspora a fazerem contactos, com os seus projetos e a fixar-se” e já são 157 gabinetes constituídos espalhados por todo o País, adiantou.

O engenheiro Rui Rodrigues da empresa Be On durante a visita de Augusto Santos Silva ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, onde ficou a conhecer os projetos de duas empresas acompanhadas pelo gabinete de apoio ao investidor da diáspora do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Créditos: mediotejo.net

De acordo com Augusto Santos Silva, desde que foi criado, o Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora tem acompanhado 53 projetos no valor de 473 milhões de euros sendo que 122 milhões correspondem a projetos já em curso.

O ministro referiu ainda o ‘Programa Regressar’ que inclui benefícios de vários tipos para emigrantes que regressem ao País durante 2019 e 2020, e que deverá entrar totalmente em vigor nos primeiros dias de julho.

Os emigrantes que voltem ao País vão contar com apoios na ordem dos 6 mil euros para cobrir custos das viagens de regresso e nas despesas com o transporte de bens, bem como com ajuda na transição profissional e ainda redução de IRS em 50% dos rendimentos de trabalho dependente e independente, auferidos por pessoas que se tornem residentes em 2019 e 2020, salientou Santos Silva.

O engenheiro Manuel Macedo, diretor industrial da Rexxiaa durante a visita de Augusto Santos Silva ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, onde ficou a conhecer os projetos de duas empresas acompanhadas pelo gabinete de apoio ao investidor da diáspora do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Créditos: mediotejo.net

Sobre a mensagem que passou ao Governo durante esta visita ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, em declarações o mediotejo.net, o presidente da Câmara, Hugo Hilário, disse ser “aquela que nos pode continuar a posicionar como um território atrativo ao investimento quer no sector da aeronáutica e do aeroespacial mas em todos os outros sectores diferenciadores a nível económico” no concelho de Ponte de Sor.

Para Hugo Hilário, o investimento “é o único fator que permite fixar população principalmente nestes contextos de comunidades no interior do País com todos os constrangimentos conhecidos que não devemos dramatizar. O nosso melhor cartão de visita é: venham conhecer aquilo que temos, e na sequência de alguns contactos que estabelecemos tivemos oportunidade de o mostrar ao mais alto nível”.

O presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor, Hugo Hilário, durante a visita de Augusto Santos Silva ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, onde ficou a conhecer os projetos de duas empresas acompanhadas pelo gabinete de apoio ao investidor da diáspora do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Créditos: mediotejo.net

Relativamente ao posicionamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros, quer na vertente da atração de investimento quer na vertente da qualificação e do retorno e alguns emigrantes portugueses, diz ser positivo.

Os emigrantes “fazem falta em Portugal e também vão fazer falta em Ponte de Sor. Temos aqui um investimento consolidado que continua a crescer e que dar o contributo ao País naquele que é o seu posicionamento a nível global para continuar a crescer e poder ser melhor”, defende o presidente.

Fazendo referência ao Governo anterior, Hugo Hilário vê no atual Executivo “maior disponibilidade para visitar o interior do País. Não é todos os dias que vem um ministro e dois secretários de Estado visitar um aeródromo municipal e só o manifesto interesse do Governo é obviamente um reconhecimento pelo trabalho”, considera.

Do Ministério dos Negócios Estrangeiros ficou “a garantia para as estratégias de desenvolvimento, quer no âmbito por exemplo do Portugal Air Summit quer no âmbito da diáspora, da atração de recursos qualificados para estes posto de trabalho que vamos criar nos próximos tempos. Temos a confiança e o suporte do Ministério dos Negócios Estrangeiros que nos pode ajudar naquela que é a sua rede de contactos, os conhecimentos dos recursos, dos programas de financiamento das entidades publicas e das empresas”.

Hugo Hilário assegura ainda que Ponte de Sor está posicionada para ter a probabilidade de mensalmente surgir no mínimo mais um manifesto de interesse” de novas empresas que se querem fixar em Ponte de Sor.

“Sei que isso não calha bem a toda a gente”, observou o autarca, salientando que “há seis anos 80% destas empresas não estavam no Aeródromo e 90% dos postos de trabalho que estão aqui não estavam no Aeródromo. Em breve anunciaremos a aquisição de uma instalação industrial para podermos sediar mais cinco empresas que já têm acordo connosco”, avançou.

Augusto Santos Silva durante uma visita ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, onde ficou a conhecer os projetos de duas empresas acompanhadas pelo gabinete de apoio ao investidor da diáspora do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Créditos: mediotejo.net

O melhor mecanismo que Ponte Sor pode ter para atrair casos como Rui Rodrigues da Be-On ou Manuel Macedo da REXIAA, “independentemente de ser da diáspora é termos condições económicas, de infraestruturas, culturais, sociais de acessibilidades, programa de acolhimento a esta gente, imobiliário e tudo aquilo que possa dissipar as dúvidas ao interesse de investimento. Temos de ser diferentes e melhores”, defendeu Hugo Hilário garantindo que em dois anos “esta conversa estará esquecida e é um dado adquirido. Estaremos a falar de outros projetos, porventura maiores que estes, e da oportunidade que Ponte de Sor tem para crescer”.

Segundo números da Câmara Municipal, no Aeródromo Municipal, até 2017, foram investidos 26 milhões de euros, entre 2018 e 2020 contabiliza-se mais de 20 milhões de euros, sendo 1,2 milhões para a internacionalização, foram criados 300 postos de trabalho e até 2020 serão criados mais 200.

Os novos projetos em curso são: UAerospace (produção de máscaras de oxigénio para forças especiais); torre de informação de voo; desenvolvimento de parcerias para manutenção de aeronaves de grande porte (Portugal e Estados Unidos da América), parcerias com universidades; revitalização do parque industrial de Ponte de Sor (Grupo REXIAA), e ampliação do Ninho de Empresas (Be-On).

Augusto Santos Silva, José Luís Carneiro e Eurico Brilhante Dias visitaram o Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, nomeadamente a empresa Tekever, ali instalada desde 2017, após a apresentação formal das duas empresas. Ao ministro, Hugo Hilário ofereceu um livro sobre o Município de Ponte de Sor.

Hugo Hilário oferece a Augusto Santos Silva um livro sobre o Município de Ponte de Sor durante a visita do ministro dos Negócios Estrangeiros ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net
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