“O Perfil de Saúde do Médio Tejo”, por Rui Calado

Pela sua saúde: “Sabia que… O Perfil de Saúde do Médio Tejo”

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O Perfil de Saúde do Médio Tejo foi elaborado sob coordenação da Unidade de Saúde Pública e teve 2 fases na sua construção. Primeiro procedeu-se a uma recolha de dados nas diversas Unidades Funcionais dos próprios serviços de saúde. Num segundo momento, foram recolhidos contributos de parceiros externos, nomeadamente dos municípios, serviços de educação, forças de segurança, bombeiros e alguns serviços regionais, como os da educação e da saúde.

Os conteúdos do documento Perfil de Saúde do Médio Tejo foram discutidos em 3 sessões de trabalho participadas por 90 profissionais de saúde e parceiros externos, em representação das instituições do Médio Tejo que contribuem, ou podem contribuir, para o bem-estar das populações. Dos resultados analisados, selecionam-se os seguintes:

O Médio Tejo tem, nas assimetrias demográficas, uma das suas principais características. Com 2.706Km2, engloba 11 concelhos com áreas muito diferentes (entre 14 e 715 Km2), tem 230 mil habitantes (populações concelhias de 3.500 a 46.000hab), zonas rurais de grande dispersão e urbanas de grande concentração populacional (densidades concelhias entre 17 e 1.642hab/Km2), com zonas de atração e zonas de desertificação (variações intercensitárias entre +9% e -16%)

A pirâmide etária está muito estreitada na base (sinal de poucos nascimentos) e alargada no topo (sinal de grande envelhecimento das populações). As taxas de natalidade e fecundidade são muito baixas e com tendência decrescente. O Índice de Envelhecimento é muito elevado, com tendência para crescer. A idade da mãe ao nascimento do primeiro filho é superior a 29,5 anos e tem vindo a crescer, com valores semelhantes aos registados no todo nacional.

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A esperança de vida à nascença é superior a 80 anos e aos 65 anos é de 19,1. No Médio Tejo, a mortalidade infantil apresenta valores muito baixos, semelhantes aos do país, com tendência decrescente.

A observação conjunta das taxas de mortalidade e dos Anos Potenciais de Vida Perdidos permite constatar que os Tumores Malignos são as doenças que exercem, de forma muito destacada, o maior impacto negativo sobre as populações. Convicção reforçada pela estatística das causas de incapacidade em sede de Junta Médica, uma vez que a doença oncológica já representa cerca de 50% do total das situações analisadas.

Nos Centros de Saúde do Médio Tejo, a percentagem de utentes inscritos com diagnóstico de hipertensão arterial, depressão e diabetes é de, respetivamente, 21,5%, 9,3% e 7,2%.

Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento do consumo de substâncias psicoativas entre os jovens. Nos 12 meses anteriores ao estudo que sustenta esta afirmação, 35% dos jovens referem ter-se embriagado, 54% que consumiram tabaco e 28% que consumiram cannabis.

A avaliação do estado nutricional das crianças do Médio Tejo resultou da participação dos serviços de saúde num trabalho de investigação denominado COSI (Childhood Obesity Surveillance Initiative). O respetivo questionário foi aplicado em amostra representativa dos alunos de 6 a 8 anos, constatando-se que 29,3% dos alunos têm excesso de peso, 14,1% obesidade e 1,4% baixo peso. Foi obtida informação sobre hábitos alimentares e outros comportamentos da vida diária e efetuadas recomendações, a integrar nas atividades a desenvolver no âmbito do Plano Local de Saúde do Médio Tejo.

Saber, para quê?

A divulgação do Perfil de Saúde do Médio Tejo resulta da decisão dos seus autores de elaborarem um Plano Local de Saúde, num processo em que participaram todas as unidades funcionais dos serviços de saúde, o Conselho da Comunidade, o Centro Hospitalar Médio Tejo, assim como inúmeros representantes dos parceiros externos (Comunidade Intermunicipal – Municípios, Delegação Regional de Educação – Agrupamentos de Escolas, Forças de Segurança, Centro de Respostas Integradas do Ribatejo). Foram cerca de 200 os cidadãos participantes.

Em reuniões de trabalho, foram listados 25 problemas de saúde e classificados por ordem decrescente da sua relevância. Procedeu-se à sua inclusão em grandes grupos de patologias e constatou-se que a maioria pertencia a 3 grupos das doenças, as metabólicas, as mentais e as oncológicas. Foi então efetuado um exercício para a identificação de fatores determinantes comuns, de que resultou a fixação de 3 grandes eixos de intervenção, no âmbito do Plano Local de Saúde do Médio Tejo:

  • A promoção de comportamentos favorecedores da saúde
  • O combate às adições
  • A prevenção da doença oncológica

A elaboração de um tableau de bord para a identificação das atividades a desenvolver por cada uma das instituições parceiras permitiu a cada participante, neste início de 2016, compreender melhor o alcance do seu contributo e responsabilizar-se pela implementação de ações da sua esfera de influência, capazes de contribuírem para a promoção da saúde das populações do Médio Tejo. Estamos certos que estas iniciativas poderão induzir segurança, bem-estar e uma maior longevidade, com mais saúde e qualidade de vida.

Afinal, um enorme e generalizado desejo coletivo, na concretização do qual todos, mas mesmo todos, podemos colaborar.

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