“Pedro de Oliveira, o pintor da Sertã”, por Sartagografia

Mural publicitário (parcial) junto ao miradouro Caldeira Ribeiro, na Sertã, da autoria de Pedro Oliveira

O seu nome é ainda uma memória bem presente no concelho da Sertã, sobretudo pelas marcas do seu profícuo trabalho em diversas áreas. Pedro de Oliveira nasceu na freguesia da Sertã no início do século XX e cedo demonstrou habilidade para a pintura, restauro e douramento.

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No final da década de 1920, estabeleceu-se como pintor e dourador, com loja aberta na então rua do Castelo (hoje Rua Dr. Romão de Mascarenhas), uma das mais movimentadas à época da vila da Sertã.

As suas intervenções em igrejas e capelas da região granjearam-lhe grande fama, sendo inúmeras vezes requisitado para pintar, dourar ou restaurar o interior desses templos. Mas a intervenção não se ficava por aqui, pois consigo trazia sempre uma equipa de pedreiros que asseguravam – quando para isso fosse requisitado – a reabilitação ou reconstrução desses locais.

Por exemplo, em 1942, os trabalhos de reparação da igreja matriz do Troviscal, por si executados, compreenderam “o reboco interior e exterior das paredes, substituição completa de duas janelas e da porta principal, douramento de todos os altares a ouro fino, conserto do soalho, colocação de novos vigamentos, de todo o madeiramento preciso e de um lambrim de azulejo decorativo, de fabrico nacional, com a altura de 1,50 metros e substituição, por telha nova, de metade da existente”.

Os jornais da época consagravam-lhe grandes elogios, como aconteceu em outubro de 1943 com o periódico ‘A Comarca da Sertã’ a escrever: “Por iniciativa do pároco desta freguesia da Sertã, Pe. Eduardo Filipe Fernandes, vem-se procedendo às reparações da capela de São João, ao castelo, e é de nota o trabalho de douramento do altar, já concluído, executado por Pedro de Oliveira, que continua mantendo os seus créditos de afamado artista”.

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É extensa a lista de igrejas e capelas que intervencionou ao longo da sua vida, a que se somaram as inúmeras obras que realizou em escolas ou edifícios particulares.

Pedro de Oliveira era também um homem com outras paixões. A música ocupou lugar de destaque, tendo entrado para a Filarmónica União Sertaginense em 1928.

Também o teatro contou com os seus préstimos, pois em 1955 integrou a Companhia de Amadores da Sertã que levou à cena diversas peças, designadamente uma adaptação de «A Bisbilhoteira», de Edward Schwalboch. Foi ainda ensaiador, conjuntamente com António Teixeira, do Rancho Folclórico da Sertã, que fez a sua estreia no dia 11 de agosto de 1951.

Porém, uma das suas obras mais marcantes foi a pintura de um imponente mural publicitário junto ao miradouro Caldeira Ribeiro (na foto observa-se parte do mural), destruído na década de 1990 para dar lugar a um prédio de habitação.

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