“Pecados capitais”, por Vasco Damas

Foto: Pixabay

Bem sei que já chegámos a dezembro e que a tradição manda evocar os sentimentos nobres da época, mas para isso há por estes dias todo um mundo de oportunidades para se ler e, modéstia à parte, eu não sou propriamente a melhor referência no que toca aos seguidismos tradicionais das épocas.

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Muitas vezes, para não dizer na maioria das vezes, o óbvio quando se transforma em rotina deixa de ser tão óbvio. Não é óbvio mas vem isto a propósito dos 7 pecados capitais. Olhando com atenção percebemos que a lista inclui a gula, a avareza, a luxúria, a ira, a inveja, a preguiça e o orgulho. Ora, se olharmos com mais atenção percebemos que roubar e matar não estão incluídos nesta lista e isso pode ajudar a explicar o sentimento de impunidade que se respira por estes dias.

Bem sei que esta lista deve ser cruzada com os 10 mandamentos mas também sei que a informação é hoje utilizada à medida das necessidades e das prioridades de cada um pelo que, para evitar equívocos e eliminar argumentos, ela devia ser atualizada com a brevidade possível.

Se não for pedir muito e se eu puder dar umas sugestões ao responsável para esta atualização, acrescente-se também a esta lista o comportamento nos cinemas. Para quem não sabe, mesmo na visualização de trabalhos mais comerciais, aquele é um local que devia ser frequentado com a filosofia de culto, por isso de futuro devia ser considerado pecado capital a utilização de telemóveis nas suas diferentes funcionalidades dentro destas salas. E já agora, acrescente-se um asterisco com a informação “se quiserem comer pipocas, tentem fazer o menor barulho possível.”

Já que estamos numa de atualizações, aproveitemos também a oportunidade para considerar a estupidez um pecado capital e para que não fiquem com dúvidas, não me refiro à intelectual, foco-me apenas na comportamental.

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E se ainda não for pedir muito, não seguindo mas aproveitando a boleia dada pelo mês da lista de desejos, acrescente-se ainda o “xico-espertismo” à lista dos pecados capitais.

Bem vistas as coisas, estes meus pedidos resumem-se a uma generalizada falta de educação pelo que talvez ainda haja esperança. Recupere-se o respeito pelos valores que também são os valores da época e replique-se esse respeito pelos 12 meses do ano que certamente dentro de algum tempo esta a lista de pecados capitais deixará de fazer sentido.

Termino com a sensação que mesmo não querendo e afirmando o contrário talvez esteja condicionado e me tenha deixado contagiar pelo sentimento de dezembro. Se assim for, evocando os valores da época, perdoem a minha incoerência.

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