“Passou o verão, borrifaram-se para os bombeiros”, por Duarte Marques

Foto: DR

Mais uma vez o Governo, e em particular o Ministério da Administração Interna, volta a demonstrar o maior desrespeito pelos Bombeiros Portugueses quando chegamos a 17 de outubro e ainda não foram pagos os honorários de setembro aos homens e mulheres que integram o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECiR)

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Como todos sabemos, como bombeiros e integrando o DECIR, milhares de portugueses têm dado o seu contributo para garantir a segurança das pessoas e dos seus bens que são constantemente ameaçados pelos incêndios. Muitos deles não são profissionais e outros têm, durante estes meses, este como seu único rendimento. Alguns, são mesmo casais que desempenham esta função e cujo rendimento do agregado familiar depende, neste período, deste compromisso que assumiram com o Estado mas que este não cumpre e não respeita. O silencio em torno deste assunto é ensurdecedor.

Se o atraso verificado já seria grave e pouco compreensível se se tratasse de um período de desempenho de funções que tivesse sido alargado ao período inicial, nesta caso trata-se do período previsto inicialmente para a duração do DECIR. É por isso ainda menos compreensível que a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) não tenha ainda transferido para as associações e para os bombeiros as verbas relativas aos honorários de setembro.

Eu e alguns Deputados do PSD já enviámos um conjunto de Perguntas  ao Ministro da Administração Interna exigindo o pagamento imediato destas despesa e alertámos inclusive o próprio Presidente da República. Mais do que apurar responsabilidades, importa no imediato pagar mais este calote de Eduardo Cabrita, António Costa e Mário Centeno.

Apesar do foco colocado neste assunto em particular, porque afinal se tratam de salários, não ignoramos também as restantes dívidas ainda por saldar por parte do Estado para com os bombeiros relativamente aos diferentes reembolsos de despesas feitas durante a época de combate aos fogos, as dívidas do transporte de doentes, do INEM, entre muitas outras. Os honorários assumem uma relevância e gravidade maior pois são, muitas das vezes, o único rendimento destes soldados da paz.

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Fica a sensação que, agora que regressou a chuva, já muitos se estão a borrifar para os bombeiros. Eu não.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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