Passe pela Biblioteca | “O trilho da Rata Cega”, de Paula Araújo

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “O trilho da Rata Cega”, de Paula Araújo, é a sugestão apresentada esta semana por Graça Asseiceira, da Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira, em Alcanena.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

A nossa sugestão de leitura recai, desta vez, para a obra “O trilho da Rata Cega” de Paula Araújo.

Editado em 2018, é um romance com um valor histórico considerável que a nós, alcanenenses, muito nos diz, e que é fruto de um vasto trabalho de pesquisa que a autora realizou. É uma forma de eternizar a memória do “nosso” comboio.

Esperamos, deste modo, suscitar a curiosidade para que possam conhecer um pedaço da “nossa” história através da leitura do livro.

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A Rata Cega, ou o Comboio Menino, como também era conhecido, foi um comboio que fazia a ligação ferroviária entre a Estação de Riachos – Torres Novas – Golegã, na Linha do Norte, e a vila de Alcanena. O primeiro troço deste trilho ferroviário, abriu em 16 de maio de 1889, tendo o restante sido totalmente terminado e inaugurado a 1 de fevereiro de 1893. Devido à crise financeira de 1890 todos os serviços desta linha foram suspensos em junho de 1893! Foi uma existência breve, com muitos percalços e descarrilamentos. Os motivos desta curta existência e as mais variadas peripécias associadas à sua história são relatados neste livro.

Um romance bem documentado que se inicia com o relato da viagem inaugural do comboio “Rata Cega” que chega, finalmente, a Alcanena, ao fim de muitas peripécias e contratempos, no dia 1 de fevereiro de 1893 e cuja ação decorre entre 1890 e 2011.

O enredo gira em torno de uma história de amor quase impossível, devido à diferença de classes sociais dos intervenientes. Paralelamente dá-se conta das condições de trabalho exploradoras da época na indústria dos curtumes.

Houve, por parte da autora, uma preocupação na recolha de hábitos, tradições, e até mesmo da linguagem coloquial de uso corrente na época, pelas classes mais desfavorecidas. São relatados os acontecimentos e as mudanças na sociedade, as mutações políticas, as repressões sociais e os costumes da época abordada.

A obra foi agraciada com o prémio A Melhor Obra 2018, da editora Cordel d’Prata em novembro de 2018.

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