Passe pela Biblioteca: “O teu rosto será o último”, de João Ricardo Pedro

Convidámos os diretores das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço, de forma alternada, todas as sextas-feiras. Esta semana, “O teu rosto será o último”, de João Ricardo Pedro, Prémio Leya 2011, é o livro sugerido por Maria José Pereira, diretora da Biblioteca Municipal de Tomar.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

“Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí.

Passe pela Biblioteca: "O teu rosto será o último", de João Ricardo Pedro  Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes… Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África.. Ou mesmo do neto, Duarte…
Tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial…”

O Teu Rosto Será o Último foi vencedor do prémio Leya 2011 e fala-nos da história da família Mendes, uma história que é contada através de 3 homens e de 3 gerações que pretendem ser uma representação da nossa sociedade, o avô (Augusto Mendes), o seu filho (António) e Duarte (filho de António).
O tema do livro aborda as reações do povo lusitano face à liberdade alcançada com a chegada de Abril: As reflexões do avô Augusto Mendes sobre influência da ditadura; os relatos do pai António, com alguma escassez de lucidez, sobre as memórias da guerra colonial que devorou o Portugal salazarista após 1961 e o crescimento de um menino (Duarte), enquanto escuta e aprende, a juntar as peças de uma cicatriz que marcou três gerações de uma família.

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Eu gostei deste romance e julgo que o autor soube cativar e agarrar o leitor logo nas primeiras páginas , apelando à nossa curiosidade. Gostei da forma como estruturou o texto, recorrendo a figuras estilísticas, recuando e avançando no tempo. Tem a capacidade e inteligência de dizer muito com poucas e simples palavras o que ajuda na fluidez da escrita e na apreensão das mensagens que nos pretende transmitir.
Gostei, igualmente desta sua opção em deixar o final em aberto e nos permitir intervir na história, bem ou mal, mas deu-nos o privilégio de a terminar…ou não.

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