Passe pela Biblioteca | “Na mó de baixo”, de Pierre Daninos

Os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo fazem recomendações de leitura no nosso jornal todas as segundas-feiras. “Na mó de baixo”, de Pierre Daninos, é a sugestão apresentada esta semana por Amílcar Correia, da Biblioteca Municipal do Entroncamento. Passe pela Biblioteca… e boas leituras!

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Pierre Daninos (1913-2005) foi o escritor e humorista francês que escreveu, entre outros, este romance publicado, em Portugal, pela Livraria Bertrand na coleção “Humoristas Universais”, em 1966. “Na mó de baixo”, que na língua original tem como título “Le 36º dessou”, relata a experiência do próprio autor durante um período depressivo, cujo decurso narrou numa perspetiva divertida. As suas andanças, em busca da terapia que o trouxesse lá das profundezas anímicas em que se encontrava, acabam por dar à estampa um dos raros bons livros de humor escritos no século XX. Conheçamos a sua peculiar dedicatória:

“A todos aqueles que nunca conheceram a depressão e que nos dizem: «Anime-se!»”

Temos, assim, neste romance, um tema que não perdeu atualidade e que, infelizmente, tem um crescimento a que o estilo de vida atual, com todo o stress e competitividade que se lhe associa não é indiferente, antes uma das principais causas desta patologia.

Análise, muito crítica, ao modo como era encarada a depressão ou esgotamento nervoso nos anos sessenta, e que o autor aborda com uma enorme dose de otimismo, tanto a doença como a sua reação à mesma.

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Na descrição que faz do seu percurso em busca da milagrosa terapia, descreve todo o périplo que passou nessa odisseia. Desde a medicina convencional, representada por psiquiatras e psicólogos, muito opinativos e receitadores dos “prozac’s” de então, às medicinas alternativas, com as suas acupunturas, mezinhas e orientações filosóficas, sem esquecer os conselhos menos científicos, mas divertidos, dos amigos. Nada escapa, neste relato de Daninos, na busca da felicidade perdida.

Escreve o autor, a determinada altura, no prefácio à obra:

«Por muito paradoxal que isso possa parecer com um tal título, trata-se no fim de contas, dum exercício de otimismo que me terá servido, mais uma vez, para aprender a rir das minhas próprias fraquezas. Se me tivessem dito na parte mais negra do túnel, onde arrastava o meu comboio que sairia alegre como uma locomotiva folgazã – eu não teria acreditado. No entanto é verdade.»

Este episódio autobiográfico do autor pode, eventualmente, revelar-se como um lenitivo ou como catalisador de boa disposição para aqueles momentos de maior desencanto que, uma vez ou outra, todos experimentamos.

Embora neste caso a depressão seja tratada, aparentemente, com alguma ligeireza, não podemos deixar de lembrar a sua gravidade e necessidade de acompanhamento especializado.

Votos de boas leituras!

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