Passe pela Biblioteca | “Embalando a minha biblioteca”, de Alberto Manguel

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “Embalando a minha biblioteca”, de Alberto Manguel, é a sugestão apresentada esta semana por Maria José Pereira, da Biblioteca Municipal Dr. António Cartaxo da Fonseca, em Tomar.

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Passe pela Biblioteca | “Embalando a minha biblioteca”, de Alberto Manguel

Em 2015, Alberto Manguel foi forçado a sair da sua casa em Mondion, na região francesa de Poitou-Charentes o que o obrigou, também a “desmantelar” a biblioteca que o acompanhava desde longos anos. Cerca de trinta e cinco mil livros foram tirados da estante e embalados em caixotes para rumar ao Canadá. “Embalando a minha biblioteca” é o mais recente livro do autor, um livro repleto de divagações sobre Livros e sobre a sua capacidade de decidir e marcar a vida das pessoas.

Está, bem, patente no livro um sentimento de incerteza e de angústia relativamente ao futuro dos livros. Manguel pertence a uma geração que consultava dicionários e obras de referência, e questiona-se sobre qual será o papel dos livros não virtuais para as gerações do terceiro milénio que crescem com os gameboys ou os iphones e para os quais, o livro (sobretudo como objeto físico) assume um papel secundário ou irrelevante. O facto de ser diretor da Biblioteca Nacional da Argentina coloca-lhe problemas decisivos como este numa época em constante mutação e celeridade. Este facto acaba, também por suavizar um pouco o seu sentimento de revolta, pois ajuda-o a distanciar-se um pouco da sua biblioteca particular e a focar a atenção naquela que é uma biblioteca de todas as pessoas, aberta para o mundo

“…o esvaziamento de uma biblioteca, por mais desolador que seja, e o embalar dos seus livros, por mais injusto, não têm de ser encarados como uma conclusão. “«No meu fim está o meu começo»,

É um testemunho magnífico, emotivo de um homem cuja biblioteca teve de sepultar “O autor se desembalar uma biblioteca é um acto selvagem de renascimento, embalá-la é sepultá-la ordenadamente antes do julgamento aparentemente final.” (p. 36)

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Um livro para embalar na mala e levar de férias!

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