Passe pela Biblioteca | “A pura inscrição do amor”, de Nuno Júdice

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “A pura inscrição do amor”, de Nuno Júdice, é a sugestão apresentada esta semana por Francisco Lopes, da Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes.

Passe pela biblioteca… e boas leituras!

Passe pela Biblioteca | "A pura inscrição do amor", de Nuno Júdice  Poeta, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e académico algarvio, com tese de doutoramento sobre literatura medieval, Nuno Júdice nasceu em 1949. Foi professor da Universidade Nova de Lisboa e também crítico e ensaística literário, nomeadamente em jornais e revistas como Expresso, JL e Colóquio Letras.

Foi o responsável pela língua e cultura portuguesa no Pavilhão de Portugal, na Exposição Universal de Sevilha, em 1992, assim como pela área de Literatura, na Sociedade Portugal-Frankfurt, em 1997. Foi conselheiro cultural da embaixada de Portugal em Paris.

Tem mais de sessenta livros publicados. Tem obras traduzidas em Espanha, Itália, Venezuela, Inglaterra, França, México, Irão, China, Albânia, Suécia, Dinamarca, Grécia, Marrocos, Líbano, Colômbia, Canadá e República Checa. Foi finalista do Prémio Europeu de Literatura Aristeion e ganhou os prémios Pablo Neruda (1975); Pen Club (1985); D. Dinis da Fundação Mateus (1990); Associação Portuguesa de Escritores (1994); Eça de Queiroz da cidade de Lisboa (1995); Bordalo da Casa da Imprens (1999); Review 2000 da Associação Internacional de Críticos Literários (2000); de Poesia Ana Hatherly, Funchal (2003); Fernando Namora (2004); Grande Prémio de Literatura dst (2007); Ibero-Americano Rainha Sofia, de Espanha (2013); Internacional de poesia Argana da Maison de la poésie du Marroc (2014); de poesia Poetas del Mundo Latino Victor Sandoval, México (2014); António Gedeão (2016); Internacional de Poesia Camaiore, Itália (2017); Juan Crisostomo Doria a las Humanidades, da Universidad Autónoma del Estado de Hidalgo, México (2017).

É este autor maior da literatura portuguesa e universal que, dia 22 de fevereiro, vem à Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes, apresentar o seu último livro, A pura inscrição do amor, que reúne poemas sobre este tema, escritos ao longo dos anos, incluindo Pedro, lembrando Inês e Carta de Orfeu a Eurídice, publicados em 2001 sob o título Pedro, lembrando Inês, há muito esgotado; Novo tratado de pintura, inédito em Portugal, mas em parte publicado na Colômbia, em 2014, com o título, Breve tratado de pintura; e ainda Cântico, editado em Espanha como livro de artista, em 2015, com o título Cântico dos cânticos, ilustrado pelo pintor Pedro Castrortega. Apenas é inédito o poema que fecha o livro, A mulher deitada.

Eventualmente como resultado e reminiscência da sua infância algarvia, Nuno Júdice concretiza a sua poesia em geral, e particularmente a do amor, em contextos que são também seus universos temáticos, como a terra e a natureza. As referências botânicas são frequentes e capazes de criar universos poéticos de um erotismo tão deslumbrante como o de Os figos de D. H. Lawrence.

Diz o poeta que é a partir da palavra que surge o poema e é dela que lhe chegam as ideias. Depois há que fazer vários esboços, como nos estudos de um pintor para pintar um quadro, pois no seu processo de escrita também há muitos poemas antes do poema.

Segundo ele “um poema é a expressão de uma intensidade conseguida através de um olhar e de uma experiência”, pois ao contrário da ficção o poema é uma síntese, uma concentração, um fechamento, uma caixa negra, embora a poesia seja uma iluminação.

O poema, como a fotografia, é um trabalho na câmara escura, em que tal como a imagem se revela progressivamente, também as palavras nascem dum nada que é a língua dentro de nós e de onde emerge o corpo perfeito, fechado e completo que é o poema.

O poema nasce de uma intenção, de um primeiro verso, onde há frequentemente uma imagem ou um jogo de palavras que no final frequentemente se contradiz. Gosta da poesia barroca porque é uma forma de brincar com as palavras, num jogo que ajuda a trabalhar a escrita. Os seus poemas encerram-se em si mesmos e esgotam-se na palavra, sem interceções exteriores que são próprias da ficção…, mas tem poemas que são pequenas narrativas.

O ponto de partida dos seus poemas são situações banais, muito concretas, mas o que lhe interessa é que eles não se esgotem nessa banalidade e atinjam outras dimensões, de modo a fazer-nos olhar para a realidade de maneira muito diferente.

A pura inscrição do amor é um belo livro, de um dos maiores poetas do amor, para eventualmente oferecer no próximo dia dos namorados, mas não só, e sobretudo para ler, guardar e reler.

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