“Para uma nova Terra…”, por Carlos Alves

Hoje estamos em sintonia. O tempo parece querer descobrir as amarras que o condenam à exaustão. Toda a gente bate palmas, atropelam-se, ouvem-se gritos estridentes, alguns fogem do nada em direção ao frenesim dos choramingos.

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O tempo demora mas não pára. A assombração desmedida indica a benevolência esmerada de alguma coisa que nos condiciona. Estamos para durar. Cheio de pó acumulado que nos faz sentir a irrealidade bafejante, que nos atira para o mar da chuva, que nos corta a irreverência do tempo que nos assiste, que nos abraça. Sempre embriagados, exaustos, mas compulsivamente compostos em carne de mártir.

Teremos uma nova terra, límpida. Que não manche o sulco, que seja impenetrável ao sangue que continuamente se evapora e dissolve no ar.

Estamos realmente exaustos de tanto sacrifício, de tanto chicote que vibra incessante e penetra nos fios da carne viva, causando enorme dor, fina e aguda, acerba. Pior ainda, o cheiro a sangue excita ainda mais a energia do flagelador.

Chega de assistir ao entorpecimento do tempo esmagado pela perspectiva do desconhecido. O silêncio que perturba o sonho de um mundo iluminado, espalha-se capitoso, pelo Universo despertado.

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Homens maltratados de sangue quente, que correm em socorro dos velhos doloridos, dos trabalhadores extenuados, dos jovens desanimados. Não mais vamos encontrar a névoa levada pela brisa como uma deusa errante e retardada.

Quando os nossos antepassados regressarem e renunciarem à vida errante do nosso tempo, a alma das raças, cujas raízes estão vigorosas, vão caminhar sem rejeitar o sacríficio e contribuir para os límpidos ideais dos novos Homens.

O que acontecer, acontece…Nada é por acaso.

A claridade do dia, a lividez dos meus sonhos aconchega qualquer um. E um dia vai entrar pela madrugada, acompanhada pelo destino e com a sua audácia congregará os desejos e as ambições que levarão à redenção insondável e invencível. O sol impaciente vai precipitar-se e mergulhar nos braços verdejantes e opulentos da Terra futura e mostrar ao passado os braços do amor, o caminho invencível sem dores, que nos desperta a consciência perdida, a solidariedade universal, a fonte do nosso desenvolvimento. A perene criadora da poesia, a força da arte.

Por ti compreendo a agonia da vida, por ti vou ao fundo das remotas raízes do meu espírito, por ti serei fraqueza nativa mas, não desisto nem abandono os limites inabordáveis do Infinito.

Suplico à tua inumerável geração que abandone os ódios destruidores e olhe delicadamente para a verdura da primavera, o esplendor do sol, a vegetação sumptuosa. Que os campos se tornem coloridos.

O momento é crucial para uma nova Terra. Sejamos artífices deste novo tempo, embalados pela consciência que nos germina a mente. Esta calma espiritual, esta intensa actividade intelectual resultará num congénito apetite de conhecimentos que humildemente explora as realidades desconhecidas. Todas estas turbulências não são incuráveis são apenas manifestações e interpretações da realidade.

O nosso mundo é um todo, não evidentemente uniforme, mas cujas componentes atuam umas sobre as outras. É sobre este mundo que temos que agir, sem angústias e sem receios.

Agora. Já!

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