Ourém | Ruído, mau cheiro e incumprimento de protocolo retiram sede a Casota Comunitária

Foto: DR

A associação Casota Comunitária, que detém um Canil/Gatil na antiga escola da Tacoaria, freguesia de Seiça, está em vias de ficar sem o espaço. O protocolo de cedência do edifício termina a 25 de julho e há vários problemas em cima da mesa: a população queixa-se do ruído e mau cheiro causado pelos animais numa zona habitacional e a associação está oficialmente em incumprimento, uma vez que o protocolo só previa um Gatil e a utilização de parte das instalações.

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A coletividade, porém, não tem para onde mudar os animais, tendo entregue uma petição à Câmara Municipal de Ourém com 655 assinaturas a pedir apoio financeiro. O presidente do município, Luís Albuquerque, garantiu na sessão camarária de 1 de abril que o caso se resolve até julho.

O tema já havia sido mencionado em anterior reunião camarária, devido ao facto da associação estar a apelar por apoio nas redes sociais. A 19 de março, Luís Albuquerque esclareceu, em declarações aos jornalistas, que, não obstante o serviço público prestado pela associação, o protocolo estabelecido com a Casota Comunitária para a cedência da escola da Tacoaria não estava a ser cumprido, existindo várias dezenas de cães num espaço que havia sido cedido para gatos e que ocupavam já a antiga escola primária e não apenas o velho jardim infantil, como previsto.

Ao mesmo tempo, o ruído e o mau cheiro já haviam levantado queixas da população, com um abaixo-assinado a chegar ao município.

O autarca reunira-se com a responsável da associação e parecia haver entendimento quanto à mudança dos animais para um novo espaço, a adquirir pela coletividade.

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“Referi que ia aguentar o protocolo até ao seu final, 25 de julho”, adiantou o presidente, que manifestou ter ficado tranquilo com o tema. No entanto a aquisição de um novo terreno pela associação acabou por não se verificar, referiu, e começaram a circular os apelos nas redes sociais.

Na ocasião Luís Albuquerque afirmou que não tornara a ser contactado pela Casota Comunitária e que o município permanecia aberto ao diálogo. Em último caso, mencionou, a Câmara poderia assumir os animais, encaminhando-os para o Canil Intermunicipal de Proença-a-Nova.

Na reunião de câmara de 1 de abril, segunda-feira, a responsável da associação, Ana Nunes, entregou uma petição com 655 assinaturas a pedir ajuda ao município. No texto pode ler-se que a associação Casota Comunitária – Associação de Proteção de Animais Errantes de Ourém “é a única associação de protecção animal neste concelho.

Nos últimos 3 anos procedeu à esterilização de 1000 animais, sendo que desses 1000, 200 eram animais recolhidos pela associação”.

Continua referindo que “foram criadas parcerias médico-veterinárias, para prestação de cuidados veterinários aos animais errantes, bem como para esterilizações e vacinação;
representou o Município de Ourém em várias feiras e formações no âmbito da protecção animal, de norte a sul do país; recolheu 100 animais errantes, ou vítimas de maus tratos e abandono; entregou 20 animais para adoção responsável, devidamente chipados e vacinados; deu 15 palestras em escolas e outros espaços de formação; organizou e participou em 10 eventos, nomeadamente na Feira PETFestival, na Fil em Lisboa”.

A instituição apela assim a que lhe seja concedida “uma verba anual, à semelhança de IPSS’s e outras associações de índole cultural, social, recreativa e desportiva. Esta verba deverá contemplar o apoio para a esterilização de animais errantes, apoio para divulgação dessas campanhas, melhorias no espaço existente, legalização do canil/gatil, manutenção das atuais instalações de gatil até se encontrar um espaço para o projecto; celebração de um protocolo vacinal”.

Ana Nunes deixou o documento e um apelo à sensibilização do município, mas não se alargou na intervenção, saindo de seguida. No público estavam habitantes da aldeia e o presidente da junta de Seiça que reiteraram os problemas que os animais têm gerado, nomeadamente de ruído e mau cheiro, para além da degradação de um edifício emblemático da localidade. Foi ainda frisado que os moradores não querem que se mate os animais, apenas que sejam mudados para outro local mais apropriado.

“Em princípio o assunto vai ficar resolvido em julho”, afirmou Luís Albuquerque, sublinhando que a associação está afinal a prestar um serviço público ao concelho. O presidente adiantou que oportunamente será apresentado um protocolo para apoiar a associação nas suas despesas e manifestou-se disponível para ajudar a encontrar uma solução alternativa para as instalações, mencionando que as atuais são desadequadas.

Na página de facebook da Casota Comunitária esta dá conta que a presença de cães no espaço ocorreu por ausência de alternativa, “e alguns até foram lá deixados. Encontramos este sítio vandalizado, janelas partidas, portas arrombadas, preservativos, seringas, velas, garrafas de bebidas alcoólicas entre outras coisas. Limpámos e arranjámos as coisas com ajudas de pessoas, nunca imaginando que um dia tínhamos que deixar este espaço, a única ajuda da câmara até à data”.

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