Ourém | Município prepara-se para combate à vespa asiática este verão

Henrique Azevedo Pereira explicou as características e os perigos da vespa asiática a uma plateia cheia na Câmara de Ourém Foto: CM Ourém

O município de Ourém identificou no último ano 40 ninhos de vespa asiática em todo o concelho. Segundo o responsável da Proteção Civil de Ourém, Nuno Touret, a estimativa é que em 2019 se ultrapasse a centena de ninhos naquele território. Numa sessão de esclarecimento na sexta-feira, 25 de janeiro, sobre a vespa asiática que reuniu perto de uma centena de pessoas – entre curiosos, apicultores, associações agrícolas e até autarquias vizinhas – a disseminação da vespa velutina pelo território foi considerado um problema de “saúde pública”. Em dezembro, Portugal registou uma vítima mortal devido a um ataque de vespa asiática em Vila Verde.

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Um “problema de saúde pública”, definiu Henrique Azevedo Pereira, investigador do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, porque a vespa asiática (velutina) faz os ninhos dentro das cidades, próximo dos seres humanos, e ataca em força quando se sente ameaçada, como aconteceu em Vila Verde a um homem que cortava uma árvore com um ninho na sua propriedade. O veneno das vespas velutinas é perigoso e o ferrão atravessa os tradicionais fatos dos apicultores, pelo que já existem fatos próprios no mercado.

Eliminar um ninho exige um produto químico específico e uma equipa preparada para realizar a complexidade do trabalho (os ninhos encontram-se sempre em alturas elevadas), pelo que qualquer avistamento deve resultar num contacto à Proteção Civil ou ao SOSVespa.

Tentar destruir ninhos com tiros de caçadeira apenas vai criar mais ninhos. Se for identificado um ninho perto de um parque infantil, como terá sucedido em Ourém segundo o relato duma professora presente, as crianças devem ser ensinadas a identificar o perigo.

Ninhos de vespa asiática Foto: mediotejo.net

Estas e outras informações sobre as especificidades e os perigos da vespa asiática foram deixadas a uma sala completamente cheia, mediante uma iniciativa de esclarecimento popular da Câmara de Ourém. “Não se aproximem dos ninhos”, alertou Henrique Azevedo Pereira, adiantando que foi lançado recentemente um manual sobre as boas práticas para destruição destes casulos de grandes dimensões.

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A vespa asiática não tem predadores naturais na Europa, pelo que se tem propagado sem entraves desde que em 2004 terá chegado via barco a França. Atualmente já foi registada no Reino Unido e está espalhada pela Itália. É considerada atualmente a maior praga dos apicultores, porque se alimenta de grandes quantidades de abelha (as europeias não possuem mecanismo de defesa), mas também dos agricultores, uma vez que não só interfere no processo de polinização como se alimenta também de fruta suculenta, destruindo as produções. A vespa asiática também já foi encontrada a alimentar-se de ratazanas mortas.

Um dos problemas do ano passado, explicou o especialista, foi a passagem do furacão Leslie pelo território nacional. Com a queda de árvores, caíram também os ninhos e as rainhas existentes disseminaram-se, criando mais ninhos.

“Obviamente isto tem um valor económico”, explicou Henrique Azevedo Pereira, uma vez que a agricultura intensiva global depende em 1/3 da polinização das abelhas, insecto que tem vindo a morrer devido a variadas causas, a que acresce agora uma nova predadora. Há ainda o impacto das alterações climáticas, que eliminam praticamente os períodos de primavera e outono, criando as condições ideais para propagação de doenças e pragas.

Em Ourém, explicou Nuno Touret, foram identificados e eliminados 40 ninhos de vespa asiática em 2018, encontrando-se esta espalhada por todas as 13 freguesias. “Houve um período o ano passado em que tivemos que mudar de estratégia”, uma vez que “a partir de agosto começaram a aparecer ninhos a 30/40 metros de altura”.

Com vários avistamentos nas primeiras semanas do ano, a expetativa do responsável é que este verão se identifiquem mais de uma centena de ninhos. “Vamos tentar manter em níveis consideráveis” a espécie, garantiu, apelando a que se for identificado um ninho se contactem os serviços municipais e não se tente resolver o problema sozinho.

“Em árvores de 40 metros não é fácil tirar os ninhos”, havia explicado, uma vez que passa por um processo de introdução de um inseticida específico para matar a vespa asiática.

Da parte do público foi registada a presença dos serviços municipais de Castanheira de Pêra, que informaram que identificaram o primeiro ninho em setembro e eliminaram 55 até ao fim do ano. Os presentes questionaram ainda sobre a utilização de equipamento militar de infravermelhos para encontrar os ninhos e aonde acorrer caso alguém seja picado (ao Centro de Saúde ou às urgências do Hospital).

A um nível global, segundo apurou o mediotejo.net, além de associações agrícolas e de apicultores da região de Leiria e do Ribatejo, estiveram presentes elementos dos municípios de Alcanena, Alcobaça, Castanheira de Pêra e da Comunidade Intermunicipal do Oeste. Os serviços ambientais da GNR também marcaram presença, além de vários presidentes de junta, a Quercus e alguns curiosos.

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