Ourém | Município descobriu arquivo “esquecido” sobre o concelho na Casa de Bragança

Castelo de Ourém Foto: mediotejo.net

Os técnicos do município de Ourém estiveram em Vila Viçosa, no arquivo da Casa de Bragança, e aperceberam-se da grande quantidade de documentos relativos às propriedades do Duque/Conde de Ourém no concelho, com registos diversos desde o século XVII. A Câmara Municipal está atualmente em conversações com a Fundação Casa de Bragança para dar a conhecer este espólio, possivelmente por via do núcleo museológico previsto na requalificação, em curso, do Castelo de Ourém.

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Um problema mencionado com frequência pelos historiadores do concelho, em particular quando se tentam fazer investigações mais aprofundadas sobre a realidade de Fátima, encontra-se no facto de muitos registos sobre o território terem sido destruídos aquando as invasões francesas no início do século XIX, que devastaram a região. O facto atraiu assim algumas dezenas de curiosos e especialistas ao auditório municipal de Ourém na sexta-feira, 10 de maio, onde decorreu a conferência “A documentação do arquivo histórico da Casa de Bragança relativa a Ourém”.

A apresentação foi dirigida por Marta Páscoa, arquivista do Museu – Biblioteca da Fundação da Casa de Bragança, com a participação de Maria de Jesus Monge, diretora da instituição. O arquivo só não é mais extenso, em termos de séculos, porque sofreu sucessivos incêndios ao longo do tempo, incluindo as consequências do terremoto de 1755, quando se encontrava em Lisboa. O espólio encontra-se instalado em Vila Viçosa desde 1945.

Biblioteca de Vila Viçosa foi a Ourém dar a conhecer o que existe de documentação sobre as propriedades de Ourém Foto: mediotejo.net

Sobre as propriedades de Ourém, um condado integrado na Casa de Bragança no século XV (linha familiar que assumiu o torno português a partir de 1640), há imensa documentação: rendeiros, contabilidade, livros de mercês, informações sobre os pinhais, administração da fazenda, administração da justiça, etc. Parte do espólio, foi mencionado, já pode ser consultado em versão digital. “O nosso arquivo pode potenciar investigações interessantes sobre a fazenda, as mentalidades, a genealogia”, refletiu Marta Páscoa.

A encerrar os trabalhos, a vereadora Isabel Costa mencionou o desejo do município de dar a conhecer esta documentação, nomeadamente por via da requalificação e musealização do Castelo de Ourém (propriedade da Casa de Bragança). Em declarações ao mediotejo.net, a responsável frisou que não está nada ainda feito, encontrando-se este projeto numa fase de debate de ideias e diálogo com a Casa de Bragança.

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“Em Vila Viçosa há um arquivo enorme de documentos sobre Ourém”, constatou, pelo que seria interessante ter no concelho alguns desses arquivos, por meio de uma exposição temporária ou com disponibilização da digitalização do que existe no Alentejo. Daí também a realização desta conferência, que atraiu os interessados nestas matérias, para se começarem a discutir as possibilidades, comentou.

Atualmente a Fundação Casa de Bragança ainda possui várias propriedades no concelho de Ourém (e áreas limítrofes), mas os técnicos presentes não conseguiram indicar quanto do território pertence ainda à instituição ao mediotejo.net. Muitos terrenos do Rei/duque/conde foram adquiridos pelos rendeiros no final do século XIX.

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