“Os ‘ensalmos’ na cura das doenças”, por Sartagografia

A palavra ‘ensalmo’ tem vários significados mas todos remetem para o sobrenatural. Quando a ciência não dava respostas ao ser humano ele tentava encontra-las noutro lado. Os textos dos ensalmos, uma espécie de benzedura ou de cura de doenças por meio de feitiços e rezas, eram retirados dos salmos cristãos mas rapidamente adaptados à maneira de estar de um povo menos culto.

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Em tempos recuados, eram muito utilizados no combate a doenças ou maleitas. No concelho da Sertã, os cidadãos mais antigos ainda se recordam dos textos, ditos em jeito de ladainha e observando simultaneamente um qualquer ritual.

Por exemplo, no ensalmo para curar o mau-olhado nos animais, o ritual obrigava a que se passasse três vezes umas calças por cima dos animais doentes, dizendo: “Se é cobranto ou mau-olhado, eu to tiro da cabeça até ao rabo”.

No caso da cura para a Brotoeja (doença da pele), se o doente fosse homem bastava vestir uma camisa de mulher ainda quente; se fosse mulher, deveria vestir uma camisa de homem, igualmente quente.

Para ‘atalhar’ o Zagre ou Usagre (erupção cutânea de natureza herpética, que aparece na cabeça e nas faces das crianças de peito), o atalhador deveria benzer-se e repetir três, cinco, sete ou nove vezes (sempre número ímpar e conforme o estado de adiantamento da doença) as seguintes palavras: “Tejo, Zêzere e Mondego passei, e o zagre curei”.

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O tratamento deveria ser efetuado em dias seguidos até que a doença cessasse, não devendo o doente lavar-se ou mudar de roupa enquanto o mesmo durasse.

Para mais informações sobre esta e outras matérias, consultar www.sartagografia.pt

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