Ortiga/Mação | CROMA Solidária angaria euros e apoios para o ‘guardião do Tejo’ (C/fotos e vídeos)

Arlindo Marques nas suas habituais filmagens, desta vez de uma espuma diferente, alvo de brincadeira das atrizes do CROMA

A iniciativa CROMA Solidária para com o ‘Guardião do Tejo’, Arlindo Marques, decorreu este sábado, dia 10 de fevereiro, no salão da Liga de Ortiga, no concelho de Mação. Tudo aconteceu pela mão do grupo de teatro CROMA, num espetáculo solidário para com Arlindo Consolado Marques, um filho da terra que está a braços com uma ação em Tribunal devido às suas filmagens em defesa do Tejo. A ação de solidariedade encheu a sala de boa disposição e de amigos do rio e do Arlindo, tendo sido angariados 506,50 euros que revertem para apoios às custas judiciais.

PUB

Solidariedade dos meus amigos com o "Guardião do Tejo" .Grupo Teatro amador CROMA de Ortiga. Objectivo angariar fundos para ajudar a pagar despesas de Tribunal no processo movido contra mim pela CELTEJO, por denunciar a Poluição do Tejo Obrigado a todos.

Publicado por Arlindo Consolado Marques em Sábado, 10 de Fevereiro de 2018

Arlindo Consolado Marques caminha, por vezes em passo de corrida, nas margens do Tejo há cerca de três anos. De Vila Velha de Rodão a Torres Novas conhece todas curvas do rio, particularmente em Ortiga, no concelho de Mação, onde nasceu e onde trata os pescadores por tu.

Deparou-se com um pronuncio de morte no Tejo, denunciou a poluição e os poluidores e devido à sua causa ambientalista, da sua ação de cidadania, de ser incansável na defesa do maior recurso hídrico português, tem em tribunal um processo por difamação instaurado pela Celtejo-Empresa de Celulose do Tejo, SA, do Grupo ALTRI, que pede a titulo de indemnização 250 mil euros.

Portugal inteiro sabe disto e a notícia começa a atravessar fronteiras espalhando-se pelo mundo.

PUB

Para ajudar as pagar as despesas judiciais de Arlindo em tribunal, o CROMA – Canal Regional de Ortiga Mais Arredores -, um grupo de teatro amador que se propõe ser também um canal de televisão, realizou um espetáculo solidário de recolha de donativos através da venda de t-shirts com a estampa “Somos Arlindo”, pipocas e um peditório levado a cabo pela presidente Cláudia Cordeiro, iniciativa que no fim da noite, deste sábado 10 de fevereiro, mesmo com entradas gratuitas, recolheu 506,50 euros, ficando em nota de encomenda muitas outras t-shirts, para mais tarde entregar e contribuir para Arlindo ajudar a suportar as despesas judiciais.

A ação solidária, no salão da Liga Regional de Melhoramentos da Ortiga, juntou amigos e conterrâneos de Arlindo que durante uma hora e 40 minutos assistiram a um registo de imagens de peças de teatro cómico e sátira, recordações passadas naquele palco, a que o CROMA acrescentou alguns extras, como os chamados bloopers no final, que arrancaram gargalhadas da plateia revelando uma comunidade, que apesar de um Tejo sujo aos pés, mantém a boa disposição na alma.

Aliás, quando se fala que o riso é terapêutico não é exagero, porque até uma comunidade piscatória que perdeu o peixe do Tejo se mostra capaz de rir quando ouve a jornalista ‘Judite Boca Guedes’ dizer que “o presidente Marcelo aderiu à nova moda, e anda a banhos de espuma no Tejo lá para os lados do açude insuflável de Abrantes”. A fotografia – em clara fotomontagem – provava a piada.

Circulando entre o público duas personagens em que Anabela Silva interpretou Jaquina “Peixeira” e Catarina Dias o marido da ‘Peixeira’ fez de Cecílio Sabino, ridicularizando as questões que têm envolvido a sustentabilidade do rio Tejo e da tradição das zonas ribeirinhas com ligação à pesca, caso da freguesia de Ortiga.

No escuro do palco cultivou-se assim a tradição de teatro amador que Ortiga tem há décadas, uma panóplia de filmagens captadas em vários formatos desde o velhinho VHS ao moderno digital. Para a paródia contribuíram Belinha e Catarina que sabem como ter o público na mão, pela descontração e graça com que dão vida aos personagens. Para as populações ribeirinhas que conhecem como ninguém os problemas ambientais do Tejo, é impossível não soltar o riso ao escutar Cecílio Sabino dizer: “Qual poluição? A espuma na água veio resolver o problema do cheiro a peixe”.

O CROMA realizou o seu primeiro espetáculo em 2005, embora “o teatro amador em Ortiga exista desde os anos 1980 explicou ao mediotejo.net Cláudia Cordeiro, admitindo que passada mais de uma década o grupo, atualmente com cerca de 20 elementos, depara-se com “a dificuldade de reunião dos atores e fazer espetáculos ao vivo” uma vez que o CROMA integra pessoas residentes em Ortiga, Torres Novas e até Aveiro.

Por norma, o Canal Regional realiza espetáculos “em palco, com uma expressividade física a interagir em direto com o público”, disse a presidente Cláudia. Este sábado foi uma estreia, colocando a assistência a ver um filme.

O CROMA “um bocadinho ao estilo de Gil Vicente. A rir se castigam os costumes, há muito tempo que faz isso em relação ao Tejo. Já em 2005 dizíamos que aquilo não estava grande coisa e que alguém tinha de fiscalizar. E o Arlindo, muito a sério, teve a coragem de denunciar algo que todos víamos e de publicar em seu próprio nome os vídeos correndo riscos. O mínimo que podemos fazer é apoiá-lo e mostrar a nossa solidariedade”, acrescentou.

Arlindo Marques é sócio da Liga Regional de Melhoramentos de Ortiga e como tal surgiu a ideia “de o ajudar, aproveitando o Carnaval, época em que o grupo costuma realizar um espetáculo satírico”, este ano com cariz solidário a favor do ambientalista.

No final do espetáculo ‘o guardião do Tejo’ como é sobejamente conhecido Arlindo, manifestou-se “muito agradecido” quer aos responsáveis da iniciativa quer a todos os que compareceram no evento. “As pessoas estão comigo estão com o Tejo” disse ao mediotejo.net.

Ortiga | Arlindo Consolado Marques manifestou-se confiante na despoluição do Tejo e, sensibilizado, agradeceu a iniciativa da CROMA que numa ação solidária recolheu donativos para ajudar o ambientalista no processo judicial movido pela Celtejo.

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 10 de Fevereiro de 2018

Questionado sobre os apoios de peso que terá em tribunal, testemunhando a seu favor, nomeadamente o presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, o deputado Duarte Marques e o juiz Carlos Alexandre, os dois últimos também naturais de Mação, entre outros, Arlindo afirmou tratar-se “da prova que tenho razão, que os portugueses têm razão, o rio está poluído e todos queremos que volte a correr como corria há seis anos. Passa a informação que não estou sozinho nisto, estou com os portugueses e os portugueses estão comigo”.

As 10 testemunhas de defesa estão já definidas e a lista é composta por advogados, autarcas, engenheiros, pescadores e deputados de vários partidos políticos.

Após os últimos acontecimentos, com o Ministério do Ambiente a obrigar a Celtejo a reduzir os seus efluentes, Arlindo tem esperança que o rio volte a correr limpo. “Ganhámos uma grande batalha mas não ganhámos a guerra. As águas correm transparentes desde que o ministro do Ambiente mandou reduzir o efluente em 50%. É o princípio do fim para que o problema se resolva. Se não for desta vez acho que nunca vai. Mas se não for a ProTejo tomará outras medidas, mais manifestações, não nos calaremos. O nosso objetivo é ver o rio correr limpo. Acho que vamos ganhar esta batalha”, afirmou confiante.

Na página da ProTejo, que acolhe outra campanha, o Movimento Pelo Tejo prevê que o prazo do processo seja de dois anos e estabelece uma meta a atingir de 21.885 euros.

Mação | Em Ortiga, Vasco Dias, vice-presidente da CROMA, em noite solidária para ajudar Arlindo Marques a suportar as custas judiciais do processo interposto pela Celtejo. Pelo meio apareceram a Jaquina Peixeira e o marido Cecilio Sabino.

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 10 de Fevereiro de 2018

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here