“Onde está o Desenvolvimento Regional no Programa Nacional de Investimentos 2030?”, por Patrícia Fonseca

Traçado do IC9 de ligação Abrantes a Ponte de Sôr, incluiu uma nova ponte entre Abrançalha e Tramagal, no concelho de Abrantes. Mas há mais necessidades identificadas na região. Foto: Telmo Rodrigues

Há décadas que o distrito de Santarém reivindica um conjunto de infraestruturas rodoviárias cuja construção todos consideram de particular relevo para o desenvolvimento regional e a competitividade deste território:

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1.            a conclusão do IC9, entre Constância/Abrantes e Ponte de Sôr, que implica a construção de uma ponte algures entre os dois primeiros concelhos, muito provavelmente no Tramagal;

2.            a conclusão do IC3, mais concretamente a ligação da A23 à A13, da zona de Atalaia até Almeirim, e que implica uma nova travessia sobre o Tejo na zona da Chamusca;

3.            a abertura da ponte de Constância/Praia do Ribatejo a pesados, como alternativa à construção de uma nova travessia;

A importância destes investimentos prende-se com a necessidade de melhoria dos acessos a importantes indústrias a sul do Tejo, como a Mitsubishi, no Tramagal, a Caima e o Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, e o Eco Parque do Relvão na Chamusca, e, obviamente, cada autarca e cada comunidade reivindicam para si, legitimamente, a maior importância e/ou urgência de cada uma das obras.

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Tenho para mim que todos são relevantíssimos do ponto de vista da coesão territorial e da competitividade empresarial desta região, podendo, uma vez construídas, ser um veículo de desenvolvimento económico. Já não tenho tantas certezas do ponto de vista ambiental…

O certo é que alguns destes investimentos estão previstos há mais de uma década e não foram sequer iniciados. Desde o PNR 2000 ao PETI 3+ ou a promessas e anúncios de governantes, a região aguarda que se passe das palavras aos actos e seja lançada a 1ª pedra.

Recentemente foi lançado mais uma vez, não a pedra, mas novo anúncio!

Todos aguardávamos com expectativa o PNI 2030, documento estratégico que, de acordo com o Governo, pretende ser “o instrumento de planeamento do próximo ciclo de investimentos estratégicos e estruturantes de âmbito nacional, para fazer face às necessidades e desafios da próxima década e décadas vindouras”.

Mas o facto é que ficamos com a sensação de que ‘a montanha pariu um rato’ e a maior parte dos investimentos estratégicos há duas décadas para a região, vão continuar na gaveta, honrosa excepção à travessia do Tejo no Tramagal, com a ligação do IC9 a Ponte de Sor, que foi propagandeada no chamado ‘Missing´Links’ (ligação em falta) que prevê um pacote de 260 M€.

Ora pois, o Governo considera que ‘falta uma ligação’ de Abrantes a Ponte de Sor (o que é um facto), mas já não considera que ‘falta uma ligação’ entre a Atalaia e Almeirim (da A23 à A13). O Governo ignora assim que passam diariamente mais de 1000 camiões carregados, muitos deles de resíduos perigosos, por dentro de localidades, colocando em risco as populações que ali vivem.

E ignora também que os pesados que pretendem ir para a fábrica da Caima ou para o campo de Santa Margarida, que são obrigados a fazer mais 50Km por não poderem passar na ponte em Constância que precisa de reforço, se não for nova.

O Médio Tejo e o distrito de Santarém têm agora uma oportunidade de conseguir corrigir esta injustiça: se Maria do Céu Albuquerque foi tão eficiente em conseguir junto do Governo que o seu concelho fosse o único considerado no PNI, então esperamos todos que enquanto Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, alargando o seu leque de ação, consiga com a mesma eficácia garantir a inclusão dos outros dois investimentos estratégicos para o desenvolvimento regional do distrito, em particular do Médio Tejo.

Se conseguir isso, fica ‘apenas’ a faltar lançar a 1ª pedra…

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Tem 46 anos e foi eleita deputada à Assembleia da República pelo CDS-PP pelo círculo eleitoral de Santarém, cidade onde reside. Integra a Comissão de Agricultura e Mar, da qual é coordenadora, a Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação e é ainda suplente na Comissão de Saúde. Engenheira Agrónoma de profissão, iniciou a sua carreira profissional na Agroges - Sociedade de Estudos e Projectos, foi Secretária Geral da Associação dos Agricultores do Ribatejo, docente convidada na Escola Superior Agrária de Santarém nas áreas de economia agrícola e adjunta do Gabinete de Assunção Cristas quando era Ministra da Agricultura e Mar. A vida política surgiu naturalmente pelo seu percurso profissional nos domínios da política agrícola nacional e comunitária aliado ao valor que o CDS sempre deu à agricultura e à importância deste sector da economia na nossa região.

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