Obituário | Carlos Tereso: um sonho interrompido a caminho do treino de futebol

Num final de uma tarde como tantas outras e após mais um dia de trabalho no município de Vila de Rei, Carlos Tereso dirigia-se até Sentieiras para mais um treino de futebol, a sua grande paixão e onde o balneário já não passava sem ele. Foi na passada sexta-feira, 30 de novembro, que a viagem foi brutalmente interrompida na EN2, zona de Alcaravela (Sardoal) vitima de um acidental de viação que lhe ceifou a vida aos 30 anos.

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O alerta para a ocorrência chegou ao Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém, às 19:41. Na altura, o comandante dos Bombeiros Municipais do Sardoal, Nuno Morgado, disse ao mediotejo.net, que foi desenvolvida de imediato “uma operação de desencarceramento, mas dada a gravidade das lesões, Carlos Tereso acabou por falecer, tendo o óbito sido declarado no local pelo médico da VMER do Médio Tejo”.

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São muitos os adjetivos que os amigos aplicam a Carlos Tereso. Foto: DR

A triste notícia correu célere pelas redes sociais cujos amigos, companheiros de campo ou simplesmente conhecidos têm dado eco da dimensão humana deste jovem que atualmente representava as cores do Centro Popular de Cultura e Desportos de Sentieiras, clube do concelho de Abrantes que disputa o Campeonato Distrital de Santarém do Inatel onde (apesar de ali estar apenas há 3 meses) era uma das referência da equipa quer pela sua vertente desportiva quer como pelo seu companheirismo e dimensão humana.

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Já no Centro Popular de Cultura e Desportos de Sentieiras, dia 8 de setembro de 2018, no 6º Torneio de Homenagem a “Guilherme Santos”. Foto: mediotejo.net

E são, de facto, muitas as manifestações de pesar pela perda de um amigo bastante estimado. Hélder Carboila, colega nas Sentieiras, um dos seus melhores amigos e que também chegou a ser companheiro de equipa e treinador de Tereso em Vila de Rei, não escondeu o seu enorme pesar, desabafando no seu facebook:

“Tanta coisa podia dizer sobre ti meu irmão, mas isso já tu sabias, pois a nossa amizade sempre foi pura e verdadeira. Tanta falta me vais fazer, nunca irei esquecer- me de ti irmão!!!” para (em publicação mais recente) reforçar que “na hora da despedida, do adeus que não tem retorno, sobram as palavras e escasseia o conforto possível… Um anjo novo povoa o além, uma estrela nova ilumina o céu, mas viverá para sempre nos nossos corações, nas nossas saudades e principalmente na nossa memória, a constante lembrança da vida que foi a sua… “.

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Inseparáveis, Carlos Tereso e Hélder Carboila eram amigos no futebol e na vida. Foto: DR

Já Vasco Miguel, outro companheiro de equipa, não escondeu a emoção, dizendo ainda não querer “acreditar que algo assim possa ter acontecido… Ainda tenho a esperança que tudo isto seja mentira… Hoje perdi um IRMÃO e um MELHOR AMIGO. 3 MESES, 3 meses chegaram para ganhar um melhor amigo na vida e no futebol. 3 meses bastaram para te conhecer e saber o excelente homem que tu és.. Uma pessoa como tu merecia viver até aos 100 sempre com essa tua energia que contagiava tudo e todos…

Todos vamos sentir a tua falta amigo, a vida, o balneário, os treinos, os petiscos não serão a mesma coisa sem ti CAVALÃO… Tenho pena de não te ter conhecido mais cedo e de não teres entrado na minha vida mais cedo, mas estes 3 meses juntos foram os melhores tampos que tive na minha vida… Quero que saibas que estarás sempre no meu coração como no coração daqueles que te conheceram, não há magoa maior que esta (…).

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Vasco Miguel não escondeu a sua emoção em palavras no facebook pessoal. Foto: DR

As manifestações de lamento e dor são comuns a todos os elementos da equipa de Sentieiras que depois de terem vivido situação semelhante há cerca de sete anos, voltam a passar pelo mesmo pesadelo que é a perda de um dos seus.

Nelson Alves, técnico-adjunto da formação de futebol sénior daquela pequena aldeia também deixou uma mensagem sentida na sua página pessoal do facebook referindo-se a Tereso como “um FURACÃO a disputar cada jogo, cada lance, cada exercício… a tua forma de estar não tem palavras para a descrever. Na minha opinião foste uma lufada de ar fresco que o C.P.C.D. de Sentieiras estava a precisar, tal como o Marão também o disse nesse dia trágico. Como amigo e companheiro sempre presente, sempre disponível, sempre pronto para contribuir para que pudéssemos ser cada vez mais FELIZES…. Como colega de profissão, que o eras, um homem culto, sábio e empreendedor, com muita vontade para vencer. TUDO ISTO ACABOU na sexta-feira passada.
PARTISTE… Para NÓS, que CÁ ficamos, e para que isto faça algum sentido, VOU, VAMOS, TEMOS que nos FOCAR numa frase que tu escreveste, e que tem todo o sentido: “NADA SE PERDE… TUDO SE TRANSFORMA…”, terminando com um “Até sempre CARLOS TERESO, olha por nós.”

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Apesar de curta, Nelson Alves enaltece o papel que Tereso teve na equipa. Foto: mediotejo.net

Mas também de fora do clube se salienta o carácter do jovem agora falecido. Telmo Gomes (“Cantinho do Primeiro Andar”) em declarações ao mediotejo.net, recorda Carlos Tereso como “um cascata, lindo e poderoso. Uma pessoa linda por dentro, humilde, alegre… poderoso em tudo o que fazia: no futebol, no trabalho… sempre muito ativo…” terminando dizendo que lhe faltavam as palavras para descrever o amigo que agora partiu.

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“Furacão” pela sua energia contagiante é a denominação mais comum entre os companheiros. Foto: DR

Para Tiago Pombo, um dos ícones da família sentieirense, descrever o Tereso é simplesmente dizer que era “um furacão, tinha uma força inesgotável e conseguia motivar tudo à sua volta”. Ao mediotejo.net, Tiago diz ainda que nunca o viu “chegar ao balneário que não viesse a rir. Quando o nosso balneário parecia começar a perder a motivação ao fim destes anos todos, aparece o Tereso que nos volta a fazer acreditar e nos mostra que tudo é possível”, conclui o ex-presidente da coletividade.

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Telmo Gomes, diz-se “chocado” e ainda “não acreditar” no sucedido. Foto: DR

 

De Bruno Alves, técnico de G. D. Concavada registámos o seguinte desabafo logo após ter conhecimento do fatídico acidente: “um grande abraço a toda equipa de Sentieiras que, infelizmente, tem de passar por isto novamente depois do nosso querido Gui (eu jogava lá e sei o que custa) também ter falecido assim! A vida é injusta… corremos o tempo todo deixando para trás muitas coisas como a família para jogar futebol, para nos divertirmos e honrar o compromisso! Hoje é um dia triste para o futebol do Distrito de Santarém e principalmente para o concelho de Abrantes!”

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Bruno Alves, técnico da Concavada também deixou o seu testemunho no facebook. Foto: DR

Também a “claque” de Sentieiras (a “Senti Amarilla”) não deixou passar a oportunidade para deixar a sua homenagem ao seu craque, escrevendo:” Amigo Tereso…
Um OBRIGADO é pouco para te agradecer o tanto que nos deste em apenas 3 meses! Jamais serás esquecido enquanto jogador, mas acima de tudo como o Homem que tivemos o privilégio de conhecer! Só nos resta agradecer teres entrado na nossa família sentieirense! Não se trata de um adeus, mas um até já!!! Lá no alto vais juntar-te (*ao Guilherme) e o céu brilhará ainda mais…” optando pelo preto e branco para realçar o sentimento.

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Homenagem da “Senti Amarilla”, claque das Sentieiras. Foto: DR

Carlos Tereso, antes de representar os amarelos do concelho de Abrantes, deixou marcas inesquecíveis por onde passou. Foi o terceiro presidente da direção da história do Vilarregense Futebol Clube, de 16 de agosto de 2013 até 1 de julho de 2016, acumulando o estatuto de treinador das camadas jovens e jogador do plantel sénior.

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No Vilarregense Futebol Clube, foi atleta, treinador das camadas jovens e até presidente da coletividade de 2013 a 2016. Foto: DR

Também em Proença-a-Nova a sua marca fica registada enquanto atleta e diretor da Associação Desportiva e Cultural local. Atualmente Carlos Tereso trabalhava na Câmara Municipal de Vila de Rei, instituição que também já expressou o seu lamento através do próprio presidente, Ricardo Aires.

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Ricardo Aires, presidente da autarquia Vilarregense, enalteceu as qualidades humanas de Carlos Tereso. Foto: DR

Ricardo Aires é bastante expressivo ao afirmar que “Vila de Rei perde um dos seus. E como tal chora a sua perda. Fica contudo o exemplo de determinação, superação, dádiva que sempre o acompanharam e o tornavam tão especial. Vila de Rei ficou mais pobre, mas poderá sempre orgulhar-se de ter contado sempre com o seu inestimável contributo, que realmente fazia a diferença.”

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Em Proença-a-Nova foi capitão de equipa e também seu diretor. Foto: DR

Com apenas 30 anos [nasceu a 18 de abril de 1988], Carlos Tereso deixa um filho menor. Foi hoje a sepultar em Amêndoa (Mação), sua terra natal. O mundo dos homens bons ficou mais pobre.

De referir que no mesmo acidente também morreu Paulo Jorge Lourenço Correia, de 43 anos, proprietário do bar “Jet Set” e concessionário do bar do “Clube da Sertã”, ambos estabelecimentos naquela vila beirã.

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As cerimónias fúnebres também decorreram esta terça-feira, dia 4 de dezembro, com os restos mortais de Paulo Correia a estarem na Associação de Alcainho (Aldeia da Ribeira) até às 15 horas na Capela de Santo Amaro onde decorreu uma missa de corpo presente seguindo o seu corpo para o cemitério local.

A grande “culpada” é uma velhinha máquina de escrever Royal esquecida lá por casa e que me “infectou” para uma vida que se revelou mais tarde não fazer sentido sem o jornalismo. O primeiro boletim da paróquia e o primeiro jornal da pequena aldeia onde frequentava a escola (tinha apenas 7 anos de idade) entranharam-me a alma (e o sangue) deste “vício” de escrever e comunicar. Seguiram-se os pequenos jornais de turma, os das escolas, os painéis informativos colocados nas paredes dos átrios e o dos escuteiros... e nunca mais o “vício” sarou. Ao longo da vida, foram vários e diversificados os ofícios exercidos profissionalmente, mas o “mar dos desejos” desaguava sempre numa folha de papel ou (mais tarde) num portátil de computador (e sempre com a máquina fotográfica como companhia). Já mais "a sério” e desde jornais regionais, rádios locais, periódicos nacionais e televisão (TVI), já são mais de 45 anos de um percurso “académico” de alguém que pouco se importa de não possuir um “canudo”.
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