“O silêncio”, por Vasco Damas

Jorge Ferreira Dias. Foto: mediotejo.net/Paulo Jorge de Sousa

A indignação tomou conta das pessoas. O caso é antigo mas poucos tinham conhecimento dos pormenores e das dificuldades que ele estava a provocar. As vozes que acusam abafam as outras com argumentos contundentes que esmagam os poucos que tentam justificar o injustificável. Aparentemente, porque como em tudo na vida, não é como começa mas sim como acaba.

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E é também isso que está na origem do problema. O arrastar daquilo que começou e que se recusa a terminar, sufocando quem precisa de ter razão mas que, apesar de aparentemente a ter, não conseguir vislumbrar a luz ao fundo do túnel. Um problema da justiça mas também das pessoas.

Cada dia que passa limita-se a aumentar o desespero de quem já teve tudo e agora não tem quase nada, situação que provoca angústia e incerteza e que contrasta com a serenidade que roça a indiferença e que desumaniza quem a põe em prática.

Indiferença em forma de um silêncio ensurdecedor que se limita a permitir que o ruído vá aumentando mesmo que a história esteja mal contada, ou se preferirem, precisamente por causa disso.

É devido um esclarecimento público e todos nós temos a obrigação moral de o exigir. Para que se saiba a verdade e para que se apurem as responsabilidades.

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Mas os dias vão passando e o silêncio vai “aumentando” deixando no ar um sentimento de impunidade que fragiliza ainda mais os alicerces instáveis da nossa sociedade e da nossa democracia.

Bem sei que os alvos estão desfocados e que o processo depois da sua origem já transitou uma e outra vez. Mas também sei que quem o herdou o podia ter gerido com outra sensibilidade e que, correndo o risco de estar a errar, utilizou o seu arrastamento como uma estratégia batida de quem sabendo não ter razão, tentava vencer a disputa através do desgaste e do cansaço.

Ao fim deste tempo já percebemos que não há vencedores e que acabámos por perder todos. Uns mais que outros mas a perda não deixa de ser de todos. E cada dia que continue a passar sem uma decisão, ou a bem do rigor, sem uma solução, vai aumentando a perda de um homem, de uma família, de uma cidade e de um concelho.

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