“O poder da palavra”, por Vasco Damas

Foto: Annie Spratt / Unsplash

Ao longo da minha vida tenho repetido até à exaustão, e algumas vezes até tenho chegado um pouco mais além, que não somos o que dizemos mas sim o que fazemos porque o domínio da teoria é muitas vezes contrariado pelo que pomos em prática.

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Apesar de saber que é assim, não deixo de reconhecer importância ao poder da palavra porque de forma cirúrgica, dita no momento certo, ela pode ter efeitos terapêuticos, regeneradores ou até mesmo salvadores.

O seu domínio, auxiliado por uma grande experiência e acompanhado pela força pedagógica da prática, é definitivamente uma ferramenta poderosa que ajuda a fazer acontecer.

Mas nem sempre a palavra precisa do exemplo prático para ter força. O melhor exemplo que posso dar para sublinhar o que acabo de afirmar é a reprodução massiva e quase espontânea dos livros de autoajuda em qualquer estante de uma qualquer livraria de norte a sul deste país.

Quem já os folheou sabe que estes livros estão cheio de mensagens curtas, fortes e contundentes que deixam pistas para o tão desejado “Santo Graal” da autoajuda, seja ele no campo da liderança, da motivação, do trabalho em equipa ou noutra área qualquer, seja ela pessoal ou profissional.

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Mas, na minha opinião, o sucesso destes livros deve-se mais a quem os compra e menos a quem os escreve. E não pensem que estou a fazer uma crítica velada aos “Gustavos Santos” da vida porque o que quero realmente dizer é que o segredo por trás destes bestsellers se esconde dissimuladamente na interpretação que cada um dá à mensagem que está a ler. Partindo do princípio que leem, porque não foi inocente a minha expressão “quem os compra”!

Apesar de todas as críticas que se possam fazer, estes são exemplos concretos que mostram a força, explícita e implícita, da palavra. Mas apesar da contundência destes exemplos, continuo a pensar que, neste campo, não há força igual à força da palavra dita por um amigo que seja verdadeiramente amigo e que nos conheça bem.

Alguém que desinteressadamente partilha o seu ponto de vista com sabedoria e com a vantagem do distanciamento lhe permitir ter uma maior amplitude de visão.

Alguém que sem querer e sem saber nos recoloca no trilho, nos dá as indicações corretas e nos aponta o caminho.

Alguém que sem querer e sem se impor nos está a dizer que é um amigo, que nos faz sentir orgulho em percebermos que é nosso Amigo e que nos aumenta a responsabilidade para estarmos sempre “à altura” desse Amigo.

Alguém que sem querer e sem ter a devida consciência, usa o poder da palavra colocando-a ao serviço da verdadeira amizade. Daquela que, desinteressadamente, dá sem se preocupar em fazer as contas ao que recebe.

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