“O poder da escolha”, por Carlos Alves

Foto: Carlos Alves

As palavras de hoje são as mesmas de sempre, são recordações, são lamentos. São aquelas palavras que nos iludem, que nos fazem sofrer, que muitas vezes nos fazem despenhar no abismo. E, contudo, os idealismos continuam em redor de nós, fazendo força para que não nos abandonem. Estoicamente aguentamos! Destruímos as nossas intenções generosas e não nos apercebemos da miséria do Mundo. Porquê? Porque vivemos apressados esperando que a sombra negra não apareça! Somos seres com asas fracas que se desfazem no embate da avalanche do desespero. Hoje, os nossos olhos já não inundam os Céus, porque já não nos deslumbramos com os rios a correr, com as cores das paisagens, cheias de imagens de pureza e doçura.

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Porque não temos olhos para ver o futuro? Porque nem o presente conseguimos realizar e perdemos o nosso tempo nas divagações espirituais.

Acampados nos corredores, amontoados, embrulhados em mantas, deitados no chão, encostados aos pilares, estendidos nas macas, os doentes amparados por pessoas de família, gritam, gemem, pedem que os salvem. É tão pouco o que queremos! Queremos existência, para não termos uma vida pobre, cheia de farrapos que contamina a nossa sociedade. A turba de miseráveis que se espalham pelas portas continuam longe da mediocridade, alheados da ignorância, fazem a sua vida no mundo da ilusão. E nós o que fazemos? Ficamos em silêncio, afastamo-nos da sociedade cheia de vícios e intrigas. Tornamo-nos fugitivos de nós próprios, para esquecermos os defeitos da nossa sociedade.

O nosso caminho é errado, os nossos desejos são imaginários, porque não temos elevação moral, coerência. O importante é as pessoas se denegrirem uns aos outros, em ciladas contínuas e intrigas nefastas. A verdade é que temos um mundo de perversidade e de miseráveis que destroem sem nada construir. E afinal estes é que são os bons, estes é que são as figuras que têm méritos e superioridades no meio da corja.

Tantos factos! Multiplicam-se. Confundem-se. Tudo se condensa no egoísmo, na circunstância pessoal, no calvário da sua existência, na turbulência das suas angústias. Hoje a vida é deles, das suas proezas guerreiras que notabilizam a sua existência. Um verdadeiro romance de cavalaria.

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Tantas vezes que pedimos um mundo, um mundo novo! Queremos ciência que tenha a força para nos salvar que combata os milhares de vermes que vivem no nosso sangue. O Estado que tutela a Ciência que a deixe respirar, que a deixe prosperar. Quando todas as cores falham, quando a luz é mortífera, aumenta o desespero e a nossa esperança é queimada e tudo se consome através do corpo porque a ciência não se reanima.

É possível ter visão! Queremos que o sol ilumine de novo o mundo, porque ele é mais forte, rompe as nuvens e caminha fortalecido trazendo fulgor à terra. Este é o mundo que queremos, um mundo de amor infinito, de liberdade, um mundo sem sofrimento.

O caminho somos nós que o escolhemos.

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