“O Orçamento é uma maravilha mas as escolas continuam sem computadores, sem professores e sem assistentes operacionais”, por Duarte Marques

Foto: Pixabay

O Orçamento é uma maravilha mas as escolas continuam sem computadores, sem professores e sem assistentes operacionais.

Quem ouve os discursos do Ministro da Educação sobre o Orçamento de Estado para 2020 fica convencido que as escolas da região, como em todo o país, já não têm falta de professores, nem falta de assistentes operacionais nem de material informático. De facto existe um aumento do OE2020 nesta área mas que se destina apenas e só aos salários, e tem sido assim nos últimos 4 anos, só aumenta a aposta em educação nessa rubrica porque o investimento está ao nível dos tempos da troika.

Em percentagem do PIB a coisa é ainda pior. Nos tempos da troika a percentagem do PIB que era destinada à educação era muito superior. Veja-se aqui em mais detalhe neste artigo.

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No debate na especialidade o Ministro Brandão Rodrigues anunciou uma aposta no aumento da velocidade da internet nas escolas. Mas de que serve isso se os computadores existentes nas escolas são velhos, degradados e muitos deles nem são compatíveis com muitos dos conteúdos distribuídos nas escolas? É uma vergonha para o país a situação de degradação do parque informático a que chegaram muitas escolas do nosso país e em particular desta região.

Inexplicável também é a falta de professores em tantas escolas mas pior só pode ser a solução encontrada pelo Ministro da Educação de colocar professores sem formação especifica a dar as aulas dos colegas em falta. É um retrocesso na qualidade do nosso ensino e uma incoerência brutal com o discurso do Governo. Mas isto revela sobretudo falta de planeamento, falta de capacidade de gestão e de realismo.

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Quanto aos assistentes operacionais a situação é ainda pior e mais embaraçosa, não só porque coloca em causa a qualidade do ensino como ainda ameaça a segurança das escolas, dos seus alunos, professores e assistentes operacionais.

Temos um OE na Educação que aposta em projectos piloto, em ambiente controlado, que têm sempre resultados positivos porque têm todos os meios à disposição. Mas a realidade do país e da escola pública não são os projectos inovadores em ambiente controlado em que corre sempre tudo bem.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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