“O NOSSO mundo”, por Vasco Damas

Foto: pexels, Pixabay

Sem grandes ideias para esta semana, olhei de relance para o que fui escrevendo ao longo das últimas crónicas e fiquei assustado com o cinzento que tem acompanhado a maioria desses textos. Logo eu que sou um otimista que gosta imenso de viver com a convicção que esta é definitivamente a melhor vida que temos para viver.

Admito que a novela de Tancos, a “orgia” do Orçamento de Estado, a rábula do Estado de direito, a vergonha hipócrita com que se trata o rio Tejo, o juiz Ivo Rosa, a polémica provocada pelo IVA nos espetáculos culturais, Donald Trump, a instabilidade no médio Oriente, a violência gráfica provocada pela fome no Iémen, Jair Bolsonaro, a onda crescente de movimentos xenófobos na Europa, Sérgio Moro, as fake news, o assassinato com requintes de malvadez do jornalista na embaixada saudita na Turquia, Nicolás Maduro e um sentimento crescente de ignorância que desconhece que a “melhor” ditadura será sempre pior que a democracia mais imperfeita, possam ter influenciado negativamente o meu estado de espírito, mas apesar destes pequenos “pormaiores”, há motivos para ser mais positivo.

Recuperando o pragmatismo, se me abstrair daquilo que não posso controlar certamente diminuirei a minha inquietação e posso focar-me naquilo que faz a diferença e que acrescenta valor à minha vida.

Refiro-me aos pequenos prazeres frequentemente negligenciados ou indevidamente valorizados que praticados com a cadência certa ajudam a repor níveis de motivação e de satisfação.

Um bom livro, uma ida ao cinema, um programa em família ou um convívio com bons amigos não vão resolver os problemas do mundo mas ajudam a mudar a perspectiva com que olhamos para eles porque há histórias inspiradoras que nos podem contagiar e momentos únicos que se arriscam a ficar guardados para sempre junto das nossas memórias mais bonitas.

À velocidade que todos vivemos esquecemos que não podemos mudar o mundo e não nos lembramos que temos a faculdade de mudar o “nosso” mundo. Às vezes basta parar, ganhar essa consciência e mudar o foco. A nossa felicidade e a felicidade de quem nos rodeia agradecem.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here