“O comunicado”, por Vasco Damas

Jorge Ferreira Dias ouvindo o comunicado lido pelo Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: Paulo Jorge de Sousa

Depois de uma semana de tréguas, que exigi a mim mesmo por causa do aniversário da elevação de Abrantes a cidade, volto a partilhar a minha visão sobre o caso do momento.

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Na última vez que escrevi sobre o tema tive oportunidade de criticar o silêncio da Câmara, porque essa postura estava a funcionar como caixa-de-ressonância de um ruído que não parava de aumentar de forma descontrolada e que, por isso, não dignificava nenhum dos intervenientes.

No passado dia 11, doze longos dias depois de termos sido confrontados mais uma vez com esta história, a Câmara Municipal de Abrantes, na pessoa do seu Presidente, teve finalmente a oportunidade de formalizar a sua posição em forma de comunicado. Como já tive oportunidade de expressar publicamente, para ouvirmos o que já tinha sido dito e que mantém a defesa da narrativa por parte da Câmara Municipal de Abrantes, não precisávamos ter esperado quase duas semanas.

Como tive igualmente a oportunidade de afirmar, guardo para mim que toda esta situação está a incomodar pessoalmente o Presidente da Câmara. O Manuel Jorge Valamatos que eu conheço não é o Manuel Jorge Valamatos que eu vi a ler aquele comunicado. Fico com a sensação que está a ser empurrado para a representação de um papel que não quer desempenhar e que o “atira” para fora da sua zona de conforto.

O Manuel Jorge Valamatos que eu conheço não é o Manuel jorge Valamatos que eu vi a ler aquele comunicado.

Pessoalmente, tenho a convicção que, se ele não tivesse que obedecer a uma disciplina protetora do passado, e se lhe fosse dada liberdade para tomar uma decisão sozinho, as coisas provavelmente já caminhavam no sentido da sua resolução, mas por uma questão de solidariedade e de preservação da imagem de personagens que entretanto saíram de cena, temo que o caso se continue a arrastar sem celeridade na solução.

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Focando-me objetivamente no comunicado da Câmara Municipal de Abrantes e na frase repetida “não é verdade”, relativamente à história contada por Jorge Ferreira Dias e apresentada pela TVI, deixo três questões para quem quiser ou souber responder.

Se o bom nome da autarquia foi colocado em causa sem fundamento e se a reportagem da TVI não responde à obrigatoriedade ética de uma peça jornalística de investigação tentando manipular a opinião pública com a distorção dos factos, porque é que a Câmara Municipal de Abrantes ainda não avançou com uma queixa contra a estação de televisão na ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social?

Se o bom nome da autarquia foi posto em causa pelas “não verdades” da história contada por Jorge Ferreira Dias, porque é que a Câmara Municipal de Abrantes ainda não avançou com um processo de difamação contra o empresário?

Por último, se os documentos referentes a este caso iam estar disponíveis para consulta pública no site do Município, porque é não estão disponíveis para consulta os documentos que podem comprometer a autarquia?

Em relação a Jorge Ferreira Dias também repito o que disse publicamente na semana passada. Para não ficar descredibilizado é importante que prove as graves acusações que tem proferido no decorrer deste processo e, neste âmbito, nos próximos dias faço questão de aceitar o seu convite para ser esclarecido.

Termino repetindo o que escrevi neste espaço há duas semanas, porque tem vindo a ganhar força esta minha convicção. Ao fim deste tempo já percebemos que não há vencedores e que acabámos por perder todos. Uns mais que outros, mas a perda não deixa de ser de todos. E cada dia que continue a passar sem uma decisão – ou a bem do rigor, sem uma solução -, vai aumentando a perda de um homem, de uma família, de uma cidade e de um concelho.

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