“O Amor é assim”, por Carlos Alves

Foto: Ricardo Escada

O mundo é feito de cores, de arabescos entrelaçados, de movimentos sublimados, de morte e de dança, de místicos anéis e asas de serafins. Uns mais belos, outros menos vazios, todos divinos no seu esplendor e de todas as gerações.

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Um mundo oculto e maravilhoso de beleza inigualável, com seus movimentos dolentes e melancólicos, onde o ar quente e abafado paira, num ritmo sufocante, numa pesada noite de lua cheia onde o vento rodopia excitado com as nuvens brancas, rodeadas de montes sombrios, onde se precipitam quedas de água dando frescura à lua.

Um mundo interior que não repousa para se libertar dos ramos floridos que se erguem em toda a volta, como um movimento sonolento que procura alcançar o ontem, cheio de memórias desconhecidas como um diadema cortante em volta da fronte, tão insensível e irreal como se feita de solidão surda e sussurrante.

Este sentimento ténue, quase irreal, mas tão percetível aos sentidos, propaga uma terna emoção, como se dois corações se entrelaçassem, adejantes, como dois grupos de fios finos e cintilantes que se aproximam. E uma suave sedimentação verbera um cristal, de mil superfícies brilhantes que nos faz arrepiar de frio.

Um sentimento onírico de frio por todos os lados, distinto e nítido, depois pálido e crepuscular como que assustado pelas emoções dos olhares secretos, das sombras vagas de estar longe e sem rumo. Um abismo de felicidade suave que em volta dos seus sentidos, murmura em gotas pequenas, dispersas e intermináveis que alastram pelas feridas de quem ama libertando forças para a paixão imperiosa e arrebatadora.

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Um silêncio confuso até à ilusão daquela solitária paisagem que provoca um frio duro e ardente, misto de sensualidade e fraqueza, cujo silêncio interior desperta o sentimento maravilhoso do amor. Um amor ousado onde as janelas se abrem curiosas pela confusão silenciosa das paixões.

Que mundo belo e inatingível, doce, sortudo e inebriante que sufoca a virtude da nossa alma, com todo o esplendor de uma arca de esmola que se atreve a reversar um sentimento de ostracismo nas mãos de uma esbelta silhueta de paixão e aventura que se liga ao universo. Sol, lua e aventura nos campos verdejantes que sobram da loucura dos raios ímpios e malévolos da impunidade que grassa nos rios e nos mares da revolta. Fogo, ar e complacência pela urdida rejeição de um primado ofegante, de uma sensação titubeante, desmedida no seu conceito que eleva uma insensatez púdica que flui entre dois espelhos onde, por detrás, existe o nada.

Sonhos e desventuras que com ar e água se misturam dentro de um pote de areia que envolto em pérola e âmbar se esforça com seu redondel por ser uma só coisa dentro de outra, perecível e autónoma, que se regozija por transcender o amor da escotilha que se abre sobre o universo de fantasia que o sonho necessita.

Pérfidos ao amanhecer, em correrias loucas de prazer, assim se vão habituando as almas caróticas que com bom senso iluminam as vielas de escárnio e mal dizer que se elevam no portal da imaginação.

O amor é assim! Sempre será assim!

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É albicastrense de gema, mas foi em Malpique (Constância) e em Tramagal (Abrantes) onde cresceu e aprendeu que a amizade e o coração são coisas imprescindíveis na valorização do ser humano. Vive no Entroncamento. Estudou conservação e restauro e ciências sociais. É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE). Trabalha na área de informática. Participou em várias Antologias Poéticas e escreveu o livro “Diálogos da consciência” que serviu para se encontrar consigo próprio numa fase difícil da sua vida. Acha que o mundo poderia ser melhor, se o raciocínio do Homem fosse estimulado. A humanidade só tem um caminho que é amar, amar por tudo e amar por nada, mas amar.

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