“O amor é a única via”, por Carlos Alves

Hoje, sorrateiramente, pus-me a pensar se poderias vir comigo. É impossível não fazeres esse esforço. Quero viajar, mas não quero fazê-lo sem ti. Pode ser? Eu iria ficar tão contente…

Ninguém é desertor. Não se chama desertor a quem parte, a quem viaja. As pessoas partem porque em muitos casos são obrigadas pelo vazio no coração, pelo medo de resistir, pelo direito de não saber e não ter coragem. Desertores são aqueles que se manifestam através da sua grosseria de alma e fazem do mundo um lugar vazio, silencioso, onde impera o luto, as lágrimas e os gemidos.

Seria certamente interessante, entrelaçarmos os nossos corações, esvoaçantes como duas borboletas cheias de sombras em tonalidades verdes e cinzentas, mas também azuis e amarelas. Na verdade não consigo pensar sozinho, tenho o cérebro demasiado solitário para percorrer paisagens que nos movem para um mundo de sentimentos obscuros. Temos de estar juntos e em reciprocidade, até às últimas consequências.

PUB

Lá fora ainda está tudo como dantes. Esta resistência insípida e inflexível vai para além dos sonhos e denota uma fraqueza da sua própria existência. Mais um ano, mais promessas. O filósofo Pitágoras ensinava os discípulos a ter silêncio, pois a bondade do silêncio e a guarda do segredo denotava a nobreza dos altos espíritos. Atualmente, esta figuração não é mais que um pequeno pedaço de chão infrutuoso que não serve mais os interesses de quem precisa de ouvir a verdade. As pessoas precisam da verdade para não terem medo, para não submergirem aos sonhos. Amor é o que faz falta. O caminho até pode ser desconhecido, mas terá de ser solitário, de coração aberto, escorrendo sangue de esperança, em conexão com os sentimentos da sua existência, entrelaçados em movimentos desmedidos que faça fluir o amor sem fragilidades.

Falamos tanto de futuro que tenho a triste impressão que nos andamos a enganar uns aos outros e que caminhamos para uma absorção mística entre dois mundos: o espiritual e o material. Enquanto os movimentos inconscientes se apresentarem como massas amorfas e subordinadas que silenciosamente não se empertigam, o nosso Mundo não vai conseguir fugir à maldade humana e abandonar a velha sociedade odiosa. Amor é a única via que penetra no jardim da esperança e que nos ensina a pintar sobre uma tela mágica a eterna verdura que ilumina o poder.

PUB

Que não cessem as vozes amadurecidas pelos sonhadores da felicidade, da cultura, da arte, da vida. É assim o silêncio infinito que mergulha no espírito transmudado pelo misterioso poder do sonho. A terra de paredes desbotadas, cheia de cruzes negras, vai um dia aparecer acompanhada de palavras de circunstância, cujo destino consiste em trazer a inquietação ao coração do Homem moderno, relembrando a época feita de escravidão, de ouro e de sangue…Mas é a lei da vida e o destino fatal de um mundo cuja fraqueza está nos seus projetos de ambição. É preciso que a substituição seja tão pura e tão luminosa para que nela não caia a amargura e a maldição das destruições. Mesmo que assim não seja, a fé brilhará nos olhos em todos aqueles que acreditam que a esperança emergirá e docemente levará à felicidade inextinguível.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here