“‘Novas famílias’ juntas no que é essencial”, por Hália Santos

Há uns bons anos, quando se começou a falar das ‘novas famílias’, a sociedade portuguesa estava claramente a seguir por um novo rumo, fruto de uma nova forma de vida, eventualmente ‘facilitada’ pela simplificação legal do divórcio e pelo começo de uma certa despenalização social desta realidade. Não eram novidade, mas começaram a surgir muito mais famílias em que os membros de um casal tinham ‘os meus, os teus e os nossos’ – filhos, bem entendido… Passou também a ser cada vez mais comum haver famílias monoparentais. E, mais recentemente, famílias com casais constituídos por pessoas do mesmo género.

As gerações que cresceram com estas mudanças sociais são hoje, também elas, protagonistas de muitas realidades diferentes, bem distantes da ‘família tradicional’. Esta mantém-se e continua a ser um pilar fundamental. Mas as ‘outras famílias’ já deram mais do que provas de que também têm a sua própria estrutura, tão bem sedimentada quanto as ‘tradicionais’.

Os preconceitos levam tempo a desaparecer. Talvez só os casos concretos façam com que as pessoas mudem de ideias. Se formos olhando à nossa volta, verificamos que a ideia de que filhos de pais separados acabam por ter problemas de desenvolvimento e de comportamento não passa de um mito. Claro que sofrem com o afastamento dos pais, como qualquer pessoa sofre sempre que perde algo ou alguém. O que se exige é bom senso e maturidade dos adultos envolvidos.

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Infelizmente continua a haver ainda demasiadas estórias em que os miúdos são usados como armas de arremesso ou objetos para exercer pequenas vinganças. Felizmente que os últimos tempos nos têm trazido muitas estórias de casais que, optando por separar-se, conseguem colocar as crianças em primeiro lugar.

Nesta época que dizem ser das famílias, importa perceber como é que estas ‘novas famílias’ gerem estes momentos. Como é que os adultos conseguem abdicar das suas vontades para que os filhos tenham o seu momento de felicidade? O certo é que cada vez são mais os casos de pais separados que se juntam para a ceia de Natal ou para o momento em que as prendas se abrem.

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Esta realidade, sendo ainda insuficiente quando comparada com os ex-casais que contam ao minuto o tempo que o tribunal estipulou para estarem com os filhos, é já muito reconfortante para quem entende que as pessoas são o que mais importa. Para além de todos os votos e desejos (muitas vezes ocos) que se fazem nesta época, o verdadeiro espírito de Natal devia ser descrito com muitas destas estórias das ‘novas famílias’, separadas mas juntas no que é essencial… sobretudo quando estão em causa crianças.

 

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