Mostra da Lampreia é um bom pretexto para juntar amigos à mesa (c/vídeo)

Há quem ame e quem odeie. Falamos de um prato que está, atualmente, presente em várias mostras gastronómicas no Médio Tejo. Com a lampreia, nome dado a diversas espécies de peixes ciclóstomos de água doce – com a forma de enguias mas sem maxilas – não há meias medidas.

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O aspecto do prato que é servido à mesa é escuro, muito escuro. Mas há quem não se deixe intimidar. Em Tomar, onde a Mostra da Lampreia decorre até 6 de março, encontrámos um grupo de amigos que se junta com alguma regularidade à mesa para fazer aquilo que chamam de “testes à lampreia”.
O último dos desafios gastronómicos decorreu no Restaurante “Ninho do Falcão”, na Quinta do Falcão, onde foi servida uma Lampreia à Bordalesa, acompanhada por verde tinto, servido numa malga. A cozinheira, Ilda Pires, avisa desde logo que o prato não é para todos e que exige algum cuidado na sua confecção. “O que é mais difícil, e demora mais tempo, é amanhar. A confecção é cuidada, tem que levar muitos condimentos. Eu costumo dizer que cada poro tem que levar um condimento”, revelou.

António Jorge é apreciador de lampreia desde que se lembra. As notícias que dão conta da poluição do Tejo preocupam-no mas não lhe retiram o apetite. Manuel Graça conta que a lampreia é um prato “indispensável” nos seu calendário anual dado que a aprecia há muitos anos. “É um prato fantástico até porque não se come em qualquer altura”, refere, acrescentando que a primeira vez que comeu lampreia não gostou. “Num grupo de amigos é mais fácil de digerir”, atesta.

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Os amigos gostam, sobretudo, do convívio que os seus “testes” à lampreia proporcionam
 “A lampreia está uma delicia”, aponta Carlos Silva que interrompe a refeição para dar a sua opinião ao mediotejo.net. “Ainda bem que, em Tomar, diversas casas se dedicam à lampreia. Da primeira vez que comi, confesso que não gostei. Mas depois tenho comido nos últimos anos e cada casa em Tomar a Lampreia tem um sabor. Além disso é um bom para reunir com outros apreciadores de lampreia. É uma maneira de estar com os meus amigos à mesa”, disse.
António Alexandre, outro apreciador do ciclóstomo, refere que na primeira vez – como não se está habituado – pode-se estranhar um pouco mas depois provou um prato “feito à séria” e gostou muito. “Fiquei a adorar até porque é muito parecido com o arroz de cabidela. Há muitos sítios fora de Tomar onde se pode comer mas aqui também existem alguns restaurantes onde vamos, normalmente, na companhia de amigos”, disse.
O economista Luís Filipe Boavida, refere que o acompanhamento é importante – o vinho verde e a salada – mas que “é imprescindível ter amigos à mesa para” ajudarem a saborear melhor a lampreia. Confessa que só gosta de lampreia há quatro ou cinco anos e que foi, precisamente, numa reunião de amigos que começou a comer lampreia. “Agora, neste período da lampreia, é obrigatório reunir um grupo de amigos entre quatro ou cinco vezes. Em Tomar temos a felicidade de haver várias casas que fazem pratos de lampreia, um prato que ou se gosta muito ou não se gosta de todo. É muito arriscado a pessoa comer lampreia pela primeira vez num sítio onde não é bom porque depois já não quer voltar a tentar”, salienta.
O advogado João Tenreiro, que é vereador na Câmara de Tomar, também se juntou neste dia ao grupo de convivas. “Era um prato que, antigamente, conhecia mas dizia que não gostava. Ou seja, pertencia aquele lote de pessoas que, apesar de nunca ter provado dizia – por causa do aspecto-  que não gostava. Até que provei pela primeira vez, há cerca de 14 anos, e gostei. A partir daí, comecei a provar mais vezes e, por norma, como-o duas vezes por ano porque é um prato pesado”, refere.

Lourenço Gomes, arquitecto, é apreciador de lampreia desde sempre, tendo começado por comer este prato em casa dos seus pais. “É um prato temático, onde juntamos um grupo de amigos para comer. Penso que esta que estamos a comer hoje está muito bem confeccionada e condimentada”, atesta.

Ilda Pires, cozinheira do Ninho do Falcão, aposta nos condimentos
Goste-se mais ou menos, o que é certo  é que todos deram uma nota positiva – e muito – à Lampreia do Ninho do Falcão que foi servida neste dia. Na agenda ficou já marcado “o próximo teste”.
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António Alexandre, General Abílio Afonso e Fernando de Jesus, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Tomar
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António Manuel Jorge, ao centro, a servir a lampreia
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Luís Filipe Boavida serve o verde tinto

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